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Mercado para crédito duvidoso é recente no País

Aumento do calote e regras mais rígidas do acordo de Basileia levaram grandes bancos a repassarem os títulos

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - No Brasil, a venda de “créditos podres” ainda é um mercado recente, que só agora deslancha com a adesão dos grandes bancos nacionais. Com folga de capital, as instituições vinham preferindo manter os créditos após as tentativas de cobranças dos clientes inadimplentes.

O aumento da inadimplência e o endurecimento gradativo das regras de Basileia – acordo internacional que visa garantir solidez ao sistema financeiro – incentivaram os bancões a repassarem o estoque de devedores. “Os bancos estão vendo de um lado o capital deles sendo comprimido por perdas de inadimplência, por outro lado exigências de capital maior”, diz Guilherme Ferreira, da Jive.

Em 2015, o Itaú Unibanco vendeu um portfólio de R$ 2,2 bilhões em operações de crédito de empresas clientes que estavam inadimplentes a um fundo especializado. O “prêmio” pago foi de R$ 24 milhões. O Banco do Brasil repassou cerca de R$ 3 bilhões de operações já baixadas em prejuízo à Ativos, empresa do grupo especializada na recuperação de dívidas. O lucro do banco com a transação depende da taxa de sucesso da empresa na cobrança dos calotes. Em média, são empréstimos de tíquete baixo, entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, sem garantias. O Bradesco não fez cessão de carteiras no ano passado.

No setor, a conta é que a venda de créditos podres em 2015 chegou a R$ 20 bilhões – não há dados oficias sobre a venda dessas carteiras no País. Os bancos brasileiros registram cerca de R$ 100 bilhões ao ano em novas operações de créditos inadimplentes. O mercado ganhou empresas e fundos especializados, além da Jive, RCB e Recovery, do Itaú Unibanco, o que também impulsionou as operações. O aumento da concorrência é visto como saudável.

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