Mercado parece descolar-se da Argentina

A boataria não pára enquanto a crise argentina vai se agravando. Ontem os rumores foram otimistas, dando conta de que o pacote econômico seria anunciado, com forte apoio internacional para a renegociação da dívida externa, entre outras notícias positivas. Nenhuma se confirmou, mas o que chama a atenção na última semana é que os mercados brasileiros parecem não reagir ou reagir com muita moderação aos sobressaltos no país vizinho, uma novidade.As taxas de câmbio, que vinham subindo drasticamente desde o final de 2000, parecem ter atingido seu limite. O governo demonstrou controle da situação com os leilões cambiais que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro, limitando a especulação. Mas o financiamento do déficit nas contas externas, a reação da balança comercial, o pacote de US$ 15 bilhões aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a manutenção dos investimentos diretos estrangeiros trouxeram equilíbrio ao mercado.Mesmo o adiamento e possível fracasso do leilão de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) pela desistência dos candidatos não conteve mais uma queda do dólar. Esperava-se forte entrada de divisas no arremate, mas o futuro da venda agora é incerto. Parece que os mercados chegaram ao fundo do poço, e agora iniciam sua recuperação, que, vale lembrar, pode ser lenta e cheia de percalços. De qualquer forma, ainda é cedo para festejar, especialmente devido às incertezas do cenário internacional.Quanto à Argentina, há muitos problemas a resolver, sem escolhas fáceis. Todas as esferas de governo ainda têm de realizar cortes draconianos e isso não será suficiente para a eliminação do déficit público a que o presidente Fernando de la Rúa se propôs. Também será necessário reduzir os juros drasticamente, o que os credores relutam em aceitar sem garantias monetárias e de cumprimento do déficit zero. Mesmo que tudo dê certo, o que os impasses nas negociações não permitem antever, não há garantias de que será criada a base para uma recuperação da economia, há 40 meses em recessão. Refletindo a situação, ontem o risco país bateu novo recorde: 2.136 pontos.E o cenário da economia mundial continua desapontador. Embora os analistas tenham esperado uma queda maior do PIB do terceiro trimestre - que ficou em 0,4% -, ainda é expressiva, que se soma à forte redução anunciada na terça-feira do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), o qual atingiu o nível mais baixo desde 1994. O país está claramente entrando em recessão, lutando uma guerra que promete ser longa e difícil, e enfrenta seguidos ataques terroristas.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

01 de novembro de 2001 | 08h11

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