Mercado: perspectivas para a semana

A crise na Argentina deve continuar no foco das atenções dos investidores na próxima semana. O governo do país enfrenta a resistência de governadores de oposição no sentido de congelar os gastos das províncias - uma das medidas fiscais do novo pacote econômico. Diante desse impasse, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cancelou a ida de uma equipe de altos executivos da instituição à Argentina até que a questão fique resolvida. Com isso, a negociação sobre o pacote de ajuda externa está temporariamente adiada.Analistas consideram que a falta de um acerto sobre o volume de recursos destinada pela ajuda externa que serão usados para pagamento das dívidas argentinas no próximo ano é prejudicial para o mercado financeiro. O cenário fica ainda pior se essa definição levar em conta um acerto político entre governo e oposição na Argentina. Isso porque não há como prever quando isso deve acontecer. Do lado do FMI, caso não houvesse esse conflito de idéias no país, a ajuda já poderia ter sido definida.Também no cenário externo ainda pesam a indefinição quanto ao novo presidente dos Estados Unidos e alta do preço do petróleo. Porém, em relação às duas questões, o problema na Argentina deve continuar tendo impacto maior no mercado financeiro do Brasil. A tendência é de que os investidores continuem atentos ao cenário argentino e qualquer fato negativo pode deixar os mercados instáveis.Tendência para o mercado financeiro na próxima semanaO dólar é a variável mais sensível às oscilações do mercado internacional, segundo os analistas. Isso porque em períodos de instabilidade, o investidor tende a migrar para ativos de menor risco, como o dólar. Com isso, as instituições financeiras e pequenos investidores tendem a aumentar o volume de compra de dólar. São as chamadas operações de hedge. Isso faz com que o preço da moeda norte-americana fique valorizado em relação ao real. Para se ter uma idéia, em novembro, o dólar comercial acumula uma alta de 2,03%.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve continuar guiando-se pelas bolsas de Nova York, principalmente pela Nasdaq - bolsa dos Estados Unidos que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet. No acumulado do mês, a Nasdaq acumula uma queda de 9,96%. O resultado negativo é conseqüência dos baixos resultados financeiros das companhias desse segmento. Os investidores reavaliam suas projeções de ganho com o investimento e, como essa perspectiva diminui, também cai o valor dessas ações.No mesmo período, a Bovespa registra uma perda de 2,54%, tentando descolar do mau desempenho do mercado norte-americano. Porém, o baixo volume de negócios não permite uma recuperação da Bolsa. Em novembro, a média de negócios gira em torno de R$ 497 milhões. Na próxima semana, a expectativa dos analistas é de continuidade das oscilações em função do cenário externo - Nasdaq e Argentina. No mercado de juros, as taxas também continuarão oscilando em função de notícias internacionais. Na terça e quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para reavaliar a taxa básica de juros - Selic - que está em 16,5% ao ano. A expectativa da maioria dos analistas é de manutenção dos juros, em função de incertezas no cenário internacional.E como ficam seus investimentos?Investidores que não têm tolerância ao risco devem sempre colocar seus recursos em fundos DI, ou pós-fixados, que acompanham a variação das taxas de juros. Em períodos de instabilidade essa é a recomendação até mesmo para quem tem perfil moderado. Ao optar pelo risco com o objetivo de conseguir rentabilidade melhor, os analistas recomendam investir uma parte dos recursos em ações. Porém, para garantir, de fato, ganhos maiores, o acionista deve acompanhar periodicamente o cenário para suas ações. Investidores que não têm conhecimento ou condições para isso devem optar por fundos de ações. Nesse caso, é o administrador do fundo quem cuida da carteira de papéis.

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