Mercado: perspectivas para a semana

A situação na Argentina e as condições sobre o desaquecimento econômico nos Estados Unidos continuam em pauta na próxima semana no mercado financeiro. As declarações do vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, de que a Argentina corre o risco de não conseguir quitar a sua dívida no próximo ano repercutiram muito mal no mercado financeiro.Analistas consideram que a reação negativa foi exagerada e que, na verdade, o objetivo de Fisher foi acelerar a aprovação da reforma da previdência no Congresso, o que reduziria os gastos do governo. O FMI vem condicionando o pacote de ajuda externa a essa aprovação. Mas há quem acredite que o pacote já é uma certeza, pois as conseqüências de um calote do país vizinho são muito desfavoráveis para o mercado mundial.Preocupação com Estados Unidos deve permanecer até o final do anoA situação nos Estados Unidos é mais preocupante, segundos os analistas. Em seus últimos relatórios, o banco central norte-americano (FED) vem sinalizando que os indicadores econômicos do país já demonstram desaquecimento. Em seu último relatório chegou a afirmar que alguns indicadores já estavam abaixo do esperado.Nesse cenário, de acordo com analistas, o FED já poderia reduzir suas taxas de juros. Porém, diante do risco de inflação, a opção do FED tem sido manter os juros em 6,5% ao ano. Vem daí a preocupação dos analistas. Eles acreditam que, caso esse corte na taxa não aconteça no período correto, a economia do país tenderia ao "hard landing", ou seja, um desaquecimento forçado que gera recessão. A próxima reunião do banco central norte-americano está marcada para o dia 19 de dezembro. A expectativa é de manutenção dos juros nesse patamar. O economista-chefe do JP Morgan, Marcelo Carvalho, acredita que o FED deve cortar os juros apenas no primeiro trimestre do próximo ano - 0,25% em maio e 0,25% em junho."Para o Brasil, o crescimento menor da economia americana implica um crescimento menor da demanda dos EUA pelas exportações brasileiras. Por outro lado, a esperada redução dos juros pelo banco central dos Estados Unidos pode ajudar a amortecer os impactos sobre as condições de financiamento externo", explica Carvalho.E como fica o mercado financeiro?No mercado de câmbio e juros, a influência da Argentina é maior. O dólar, que vinha sofrendo pressão de alta, recuou com a entrada de dólares referentes à operação de privatização do Banespa. Porém, esse volume de moeda norte-americana já foi absorvido pelo mercado financeiro. Com isso, caso a situação na Argentina não melhore nos próximos dias, o dólar deve manter a pressão de alta.Em relação ao mercado de ações, a Nasdaq - bolsa eletrônica dos Estados Unidos que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - continua influenciando os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nesse caso, a situação dos Estados Unidos tem impacto maior, já que a incerteza em relação ao desaquecimento econômico dos EUA e a queda nas projeções de lucros das empresas tem gerado forte oscilação no mercado de ações. Na próxima semana, a tendência é que esse cenário se repita.Veja no link abaixo o cenário para os seus investimentos.

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