Mercado: perspectivas para a semana

As reuniões do banco central norte-americano (FED) e do Comitê de Política Monetária (Copom), ambas para definição das taxas de juros nos países, devem atrair a atenção dos investidores na próxima semana. O FED divulga seu resultado na terça-feira e a expectativa dos analistas é de que o presidente da instituição, Alan Greenspan, indique em seu discurso a reversão da tendência de alta dos juros norte-americanos.Desde junho do ano passado, o FED já elevou as taxas de juros seis vezes com o objetivo de desaquecer a economia e conter os índices de inflação. O juros anuais subiram de 4,75% para 6,5%. Desde então, os números da economia vêm apontando desaceleração da atividade, o que pode provocar a reversão da tendência de alta dos juros. Copom: veja a perspectivas dos analistasO resultado da reunião do Copom sai no dia seguinte, na quarta-feira. A maioria dos analistas acredita em queda da taxa básica de juros - Selic. Robério Costa, economista sênior do Citibank, prevê que o corte seja de 0,5 ponto porcentual. Com isso, a Selic cairia dos atuais 16,5% ao ano para 16% ao ano. "Os fatores do cenário externo, que impediam a redução dos juros nas últimas reuniões, melhoraram", explica. Ele aponta a queda no preço do petróleo, a perspectiva de desaceleração suave da economia dos EUA e a possibilidade de aprovação do pacote de ajuda à Argentina. Gilberto Poso, diretor de operações com clientes da Lloyds Asset Management, também acredita em redução da taxa Selic. Porém, se o FED não sinalizar a reversão da perspectiva de alta dos juros, o que é muito improvável na opinião do diretor, a decisão do Copom pode ser outra. O economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi, também condiciona a decisão do Copom ao resultado da reunião do FED e da perspectiva do anúncio do pacote de ajuda externa à Argentina. "Acredito que o Copom não reduza os juros, apenas coloque um viés de baixa. Mas, se o pacote sair até terça-feira e o FED alterar sua política de juros, a chance de o Comitê cortar os juros é maior", afirma Rabi. Viés de baixa é a possibilidade de o presidente do Banco Central fazer o corte quando achar conveniente. Juros e Inflação O executivo do BicBanco lembra que, se fosse levado em consideração apenas o cenário interno, a taxa básica de juros já poderia estar em 14% ao ano. "Os juros no Brasil são muito elevados. Pelo cenário econômico brasileiro, a taxa de juro real, ou seja, juro nominal descontando-se a inflação, não poderia ultrapassar 10%". De acordo com a explicação de Rabi, no próximo ano, com a meta de inflação em 4%, a tendência é de que as taxas caiam rapidamente, para que o juro real fique abaixo desse patamar. Costa, do Citibank, prevê que a Selic chegue ao final de 2001 em 13,5% ao ano. Com isso, o juro real ficaria em 9,5%. Como fica o mercado financeiro na próxima semanaA aprovação do pacote de ajuda à Argentina, a decisão favorável do FED pela reversão da tendência de alta de juros e a continuidade de queda do preço do petróleo são fatores que podem contribuir para a estabilidade dos mercados.Porém, as empresas de tecnologia e Internet devem continuar fazendo seus anúncios com expectativas negativas para os lucros e isso pode gerar oscilações e instabilidade na Nasdaq - bolsa dos Estados Unidos que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet. "O mercado acionário no Brasil vai se manter atento ao cenário em Nova York", declara Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management. Indicações de investimento Na próxima semana, os trabalhadores devem receber a segunda parcela do 13.º salário. Para decidir qual o melhor investimento, Poso esclarece que o investidor deve avaliar o período em que o dinheiro ficará investido e a aceitação que se tem ao risco. "Os recursos que podem ficar aplicados por um prazo superior a seis meses podem colocar uma parcela do dinheiro em Bolsa. Investidores que tem tolerância ao risco podem direcionar de 25% a 30% ao mercado de ações. Para quem tem pouca tolerância ao risco, a parcela pode ser de 10%", indica Poso.Já o dinheiro que será usado nos próximos três meses deve ser alocado em aplicações de menor risco. "A recomendação é investir em fundos de renda fixa pós-fixados, os fundos DI, que acompanham as taxas de juros. Poso explica que na comparação de rendimento entre fundos DI e prefixados, a diferença de rentabilidade deve ser insignificante. "Por isso, é melhor aplicar em DI", esclarece.Os fundos cambiais, que oferecem como rentabilidade uma taxa de juros mais a variação do dólar, devem ser escolhidos apenas por quem tem dívidas em dólar ou que pretendem usar os recursos do 13.º salário para uma viagem.

Agencia Estado,

15 de dezembro de 2000 | 22h10

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