Mercado: perspectivas para a semana

Já há alguns dias não se discute mais quem será o vencedor das eleições do próximo domingo. Os investidores fizeram suas apostas em uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL), embora torcessem para o governista José Serra (PSDB/PMDB). Mas os olhares agora estão voltados para o governo que entra e o impacto que ele terá nos investimentos.Na última semana, houve uma revisão das expectativas em relação à provável administração petista em âmbito federal. As visões catastrofistas vêm cedendo, e, apesar da cautela predominante, o momento é de recuperação. Houve importante valorização dos ativos nos últimos dias, e os passos do novo governo devem definir o rumo dos negócios nas próximas semanas.Primeiramente, será organizada uma equipe de transição com 50 interlocutores, que o PT promete indicar na terça-feira. Essa não é a equipe definitiva de governo, mas trará indicações importantes. Embalados pela vitória nas eleições, os novos ocupantes do Planalto pretendem aprovar algumas medidas no Congresso já nesse final de legislatura, em esforço conjunto. A perspectiva de uma transição ordenada até a posse, em 1o de janeiro, ajuda a tranqüilizar os investidores.Ao longo da semana, a cúpula do partido insistiu em relativizar algumas promessas de campanha e posições históricas. Os pronunciamentos concentraram-se na administração austera das contas públicas, responsabilidade na gestão da política econômica, independência do Banco Central e reformas constitucionais, especialmente a tributária e a previdenciária. O mercado gostou.Mas as cotações ainda vêm demonstrando muita cautela. O clima é favorável, mas não se pode superestimar a recuperação dessa semana, já que os ativos ainda estão em níveis muito distantes dos negociados no início do ano. A retomada do otimismo será pautada pelos avanços que o mercado julgar positivos nos próximos meses, e pode haver ainda muitas idas e vindas.A maior expectativa é em relação a medidas concretas do novo governo, o que deve ocorrer gradualmente. O foco das atenções serão declarações, posicionamentos, votações no Congresso e nomeações para os principais cargos de governo. Quanto mais próximos dos mercados, maior deve ser o otimismo.Dentre os analistas, as projeções estão sendo revistas devido à nova boa-vontade com o provável governo petista. Alguns já falam em corrida positiva, com forte valorização dos ativos brasileiros, interna e externamente. O principal teste será o vencimento de dívida cambial do dia 1o de novembro, que chega a cerca de US$ 2 bilhões. Analistas já falam em uma recuperação das cotações em diferentes proporções. Fala-se até que os próximos vencimentos de dívida cambial não devem ser tão tensos. O teste deve ser o próximo lote de dívida cambial vence no dia 1o de novembro, que chega a cerca de US$ 2 bilhões. Nas últimas semanas, a tensão nos mercados concentrou-se nos fortes vencimentos de cambiais. Uma rolagem tranqüila pode ser o melhor sinal de confiança no novo governo.Como o centro das atenções será o começo da transição presidencial, o desempenho dos mercados internacionais deve ter um peso menor sobre os negócios no Brasil. Os bons números das contas externas, que mostram grande superávit comercial e manutenção do investimento direto estrangeiro, também ajudam a tranqüilizar os mercados. O que preocupa mais agora são os índices de inflação, que vêm pressionados pelas tarifas públicas e drástica desvalorização cambial dos últimos meses. A evolução da dívida pública também merece atenção, pois a parcela corrigida pelo dólar cresceu muito recentemente, e a alta da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, foi elevada há duas semanas de 18% para 21% ao ano, elevando as obrigações em reais.Veja no link abaixo o resumo dos principais eventos para os mercados financeiros na semana que passou. E não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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