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Mercado: perspectivas para a semana

A semana que passou trouxe algumas notícias preocupantes. Se a ameaça de guerra entre o Iraque e os EUA parece um pouco menos grave, a disparada dos índices de inflação não agradou os investidores. Já se fala em alta da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 21% ao ano. Além disso, depois de duas semanas sem vencimentos cambiais, este final de ano promete ser agitado, com muitas concentrações de vencimentos de contratos atrelados ao dólar.Hoje venceu um lote grande, de US$ 1,9 bilhões, que o governo só conseguiu rolar parcialmente (58,5%). Quanto maior o volume de papéis resgatados, maior tende a ser a demanda por dólares, pressionando as cotações. Isso sem considerar que os investidores com esses contratos tentam inflar os preços dos negócios para conseguir uma correção maior. Para o próximo vencimento, dia 20, o governo já rolou 44,1% dos US$ 2,4 bilhões, mas a taxas muito salgadas. Como a correção é definida pela média das cotações da véspera do vencimento, o Banco Central (BC) já definiu mais um leilão para a segunda-feira. Dezembro será um mês com muitos dias nervosos também por causa das rolagens de contratos cambiais.A alta do dólar está tendo um efeito muito relevante sobre as taxas de inflação. Elas estão vindo muito mais altas do que o esperado e analistas comentam que não são mais só os preços de produtos importados e outros atrelados à variação cambial que apresentam alta. Ou seja, já há um movimento mais generalizado de remarcação de preços, o que é muito grave num regime econômico em que o controle se dá por metas de inflação.Por isso, muitos no mercado já apostam em nova elevação da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que se encerra na quarta-feira. Essa corrente reconhece que, para debelar as atuais altas de preços, somente um choque de juros radical teria efeito, o que é muito improvável. Mas, ao menos para controlar a inflação futura, seria cabível elevar a Selic.Porém, os juros levam tempo para ter efeito sobre a economia, e muitos analistas defendem que deve se dar mais um tempo para que a atual taxa comece a inibir remarcações. Além disso, é claro que a inflação é decorrência da alta do dólar nos últimos meses. Dado o custo social de uma elevação ainda maior da Selic, eles defendem que se espere para que o câmbio retorne a níveis mais amigáveis para verificar se a tendência inflacionária se mantém.O problema é que a trajetória do dólar ainda não é tão clara, mas se o governo eleito seguir no rumo da responsabilidade administrativa e cumprimento dos contratos, é mais provável que caia. Mas o mercado quer medidas concretas antes de agir de maneira mais contundente. Ou seja, o ritmo e a intensidade da queda são incertos.De qualquer forma, numa economia já muito desacelerada, uma nova alta dos juros pode ter um impacto muito negativo sobre o crescimento econômico e o emprego, assuntos muito caros na última campanha presidencial. Por outro lado, o descontrole da inflação também pode trazer efeitos devastadores sobre a economia e mercados.No cenário internacional, preocupa ainda a indefinição sobre a economia norte-americana. Ela está em desaceleração, e mesmo o crescimento dos últimos trimestres não é sólido. Por outro lado, a ameaça de guerra com o Iraque é real, embora o jogo diplomático seja complexo. Fala-se que os Estados Unidos estarão prontos para invadir no início de 2003, mas as idas e vindas do governo iraquiano podem atrasar ou até evitar uma decisão que depende da comunidade internacional, e não só do presidente George W. Bush.Veja no link abaixo o resumo dos principais eventos para os mercados financeiros na semana que passou. E não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2002 | 21h06

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