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Mercado: perspectivas para a semana

Os mercados continuam monitorando com atenção os índices de inflação, que vêm superando expectativas. No câmbio, a forte concentração de vencimentos cambiais nesse final de ano continua trazendo oscilações ao câmbio. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está em trajetória de alta com a melhora das expectativas em relação ao governo eleito e primeiros sinais de entrada de capital estrangeiro.Em dezembro, os vencimentos cambiais serão grandes, podendo trazer nervosismo ao mercado de câmbio, com conseqüentes oscilações nas cotações. Já na segunda-feira o Banco Central (BC) tenta rolar parte dos US$ 2,3 bilhões que vencem no dia 2. Esse leilão já pode dar o tom dos negócios na semana. Também devem ser saldados - de acordo com estimativas do mercado - US$ 300 milhões em dívida privada. Para o mês de dezembro, o total é de US$ 5,9 bilhões em vencimentos mais um total esperado de US$ 3,3 bilhões em compromissos de empresas.Outra forte preocupação é a inflação. Os índices estão superando as projeções do mercado, especialmente o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) em suas diversas prévias. Apesar de não estar atrelado à política inflacionária, esse indicador é usado para a correção de contratos e tarifas, e vem acumulando resultados muito superiores aos demais por ser muito sensível às variações no câmbio. Assim, exerce um efeito indireto sobre os reajustes de preço em geral, ajudando no repasse das altas do dólar a produtos que independem do câmbio.Mas não é só o IGP-M que vem subindo. A tendência de alta da inflação em diversos setores é clara e levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a elevar os juros novamente na quarta-feira passada. A Selic, taxa básica referencial de juros da economia, passou de 21% para 22% ao ano, um nível muito elevado. Com a alta, o governo espera encarecer o crédito e reduzir o consumo, desestimulando novos repasses. Mas muitos no mercado estão apreensivos com a pressão inflacionária e têm dificuldades em prever o ritmo e a intensidade da queda dos juros para patamares mais saudáveis para o crescimento econômico. De qualquer forma, analistas observam que as variações nas taxas demoram em média de 6 a 9 meses para surtir efeito sobre a inflação, e, portanto, os aumentos acusados agora não devem ser superestimados. Mas, como o Brasil adota um sistema de controle macroeconômico por meio de metas inflacionárias, essa variável deve continuar no centro das atenções.Já a Bovespa teve uma semana muito positiva, e tem acumulado altas consecutivas desde o dia 12. Apesar da inflação, surgem sinais, ainda que tímidos, de entrada de capital estrangeiro. A boa notícia serviu para alavancar os negócios, em função da melhora nas expectativas em relação ao governo eleito, principalmente pelo investidor estrangeiro.Têm agradado as declarações da cúpula petista, assim como os primeiros passos na transição de governo. Mas ainda é pouco, pois o presidente eleito ainda não indicou equipe definitiva de governo nem pôde tomar medidas mais contundentes. O mercado quer sinais claros de responsabilidade na política econômica e na administração pública, assim como avanços nas reformas estruturais (tributária, previdenciária, trabalhista). O PT também precisa mostrar governabilidade, com o apoio de uma base parlamentar numerosa.De qualquer forma, foram positivos os elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI), que aceitou adiar a revisão do acordo com o Brasil para negociar com o próximo mandatário, e de diversos representantes do governo norte-americano ao novo presidente e sua equipe. Se o governo eleito continuar ganhando a confiança dos mercados, as cotações devem avançar na recuperação, especialmente a partir da posse.Veja abaixo as cotações de fechamento da semana: segunda-feiraterça-feiraquarta-feiraquinta-feirasexta-feiraBovespa (variação)+0,87%+0,01%+1,16%+2,00%+1,12%Dólar (cotação)R$ 3,5600R$ 3,5550R$ 3,5150R$ 3,5250R$ 3,5600Juros (DI para janeiro)23,130%22,900%22,600%22,800%22,730%Nasdaq (variação)-1,24%-1,38%+3,26%+3,40%+0,08%Dow Jones (variação)-1,08%-014%+1,75%+2,58%-0,46%Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2002 | 20h25

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