Mercado: Petróleo e Nasdaq trazem perdas

Apesar da tensão causada pelos anúncios dos balanços trimestrais das empresas norte-americanas, o petróleo voltou a comandar os mercados mundiais. Os conflitos no Oriente Médio não cessaram e os demais países árabes estão demonstrando, de uma maneira ou de outra, apoio aos palestinos. O maior temor, porém, é que os conflitos se agravem, propagando-se para os países vizinhos. Israel está ameaçando bombardear o Líbano em resposta ao seqüestro de três soldados pelo Hezbollah. A Arábia Saudita anunciou ontem que se as agressões se estenderem ao Líbano e à Síria, a comunidade árabe não ficará impassível. Com os estoques de óleo para calefação baixos nos Estados Unidos, a tensão serviu para trazer instabilidade ainda maior nos preços do petróleo. Em Londres, os negócios com o petróleo bruto do tipo Brent para entrega em novembro fecharam em queda de 0,06% a US$ 31,79 por barril, depois de atingirem a cotação máxima do dia de US$ 32,65.Nos Estados Unidos, continuam os anúncios de balanços trimestrais. De maneira geral, as perdas não têm sido tão expressivas, mas a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - está caindo sistematicamente. Ela está se mostrando bastante sensível aos altos valores do petróleo e à queda nas taxas de crescimento da economia norte-americana. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,05%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 2,23%. Mercados acumulam perdas, apesar do bom cenário internoInternamente, foram divulgados o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) de setembro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ficou em 0,23%, abaixo do esperado. Também foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto Pesquisas Econômicas (Fipe), referente a outubro, fechando em 0,21%. Também foi confirmada a privatização do Banestado em 17 de outubro, o que alivia um pouco os interessados no leilão do Banespa. O governo federal anunciou que a venda do Banespa só sai depois do Banestado.Mesmo assim, com a inflação dando sinais claros de queda e com a economia brasileira crescendo, os mercados financeiros estão cautelosos. Enquanto o petróleo se mantiver nos atuais níveis e a Nasdaq não mostrar sinais de recuperação claros, as cotações e os volumes de negócios devem refletir o pessimismo externo. A Bovespa - Bolsa de Valores de São Paulo - fechou em queda de 1,40%. Além disso, a instabilidade política e econômica na Argentina tem preocupado os investidores. Muitos investidores estrangeiros aplicam em papéis de países na mesma região. Com isso, uma crise séria na Argentina poderia prejudicar os mercados também no Brasil, Chile e México. A situação argentina também é muito relevante para a economia brasileira dado o intenso intercâmbio comercial entre os dois países.Juros e dólar em ligeira altaFrente a todas essas adversidades, as expectativas em relação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 17 e 18, tornaram-se muito conservadoras. Há uma unanimidade entre os analistas de que não existem condições para uma redução nas taxas de juros. As correções nas taxas de juros estão ocorrendo em função de uma crença anterior na queda de meio ponto porcentual. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 17,000% ao ano, frente a 16,990% ao ano ontem. E o dólar fechou em R$ 1,8620, com alta de 0,27%. A maioria dos bancos projeta uma cotação em torno de R$ 1,90 para o final deste ano. Sem muitas oscilações, o dólar parece estar cumprindo essas previsões.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2000 | 19h05

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