Mercado piora previsão do PIB e reduz Selic para 2009

O mercado financeiro voltou a piorar as projeções para o comportamento da atividade econômica este ano. Segundo a pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central (BC), a mediana das previsões de aproximadamente 80 analistas do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 piorou de uma retração de 0,55% para uma queda de 0,57%. Essa piora acontece após duas semanas seguidas de melhora do indicador.

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

22 de junho de 2009 | 09h45

Para 2010, foi mantida a estimativa de que a economia deve se recuperar e o PIB apresentará crescimento de 3,5%.

Ainda segundo a pesquisa, analistas também pioraram o cenário para a produção industrial em 2009. A mediana das estimativas passou de -4,70% para -4,75% este ano. Entretanto, para 2010, a expectativa de reação do setor industrial melhorou e a previsão de crescimento passou de 4,03% para 4,18%.

Juros

O mercado financeiro reduziu a projeção para o nível da taxa básica de juros, a Selic, no fim deste ano, na primeira pesquisa Focus realizada pelo Banco Central após a divulgação da ata do encontro de junho do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo a pesquisa, o juro básico brasileiro deve ser reduzido em 0,50 ponto porcentual até o fim de 2009, o que levaria a taxa para 8,75% ao ano. Na semana passada, essa estimativa previa a taxa em 9% anuais no fim deste ano.

O levantamento mostra que essa redução esperada para o período atual deve ocorrer integralmente no encontro de julho do Copom. Na visão do mercado, a Selic deve encerrar o próximo mês em 8,75% ao ano, ante expectativa anterior de 9% ao ano, que prevalecia na semana passada.

Para o fim de 2010, a trajetória foi diferente e a mediana das estimativas subiu de 9,14% para 9,25% anuais, retornando ao nível verificado na pesquisa há quatro semanas.

Inflação

Também de acordo com a pesquisa Focus, o mercado elevou pela segunda semana seguida a estimativa para a inflação oficial do País em 2009, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Dessa vez, o aumento foi de 4,39% para 4,4%. O índice é usado no regime de metas de inflação, cujo centro é de 4,5% para este ano, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima.

Para 2010, a mediana das previsões para o IPCA foi mantida em 4,3% pela quarta semana seguida.

Câmbio

O mercado financeiro manteve as previsões para a taxa de câmbio no fim deste ano em R$ 2,00, ainda segundo o levantamento. Para o fim de 2010, a previsão caiu de R$ 2,10 para R$ 2.

Contas externas

O mercado financeiro diminuiu a previsão de déficit em conta corrente em 2009, passando de US$ 17 bilhões para US$ 16,5 bilhões, segundo a pesquisa Focus. Para 2010, a previsão de saldo negativo de todas as transações do País com o exterior manteve-se em US$ 22 bilhões.

Já a previsão de superávit da balança comercial brasileira em 2009 subiu de US$ 20 bilhões para US$ 20,8 bilhões. Para 2010, a estimativa de saldo comercial positivo avançou de US$ 15 bilhões para US$ 17 bilhões.

Por fim, o mercado reduziu a previsão de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no País. Na pesquisa, a mediana das expectativas para a entrada de recursos externos produtivo em 2009 caiu de US$ 24,5 bilhões para US$ 24 bilhões. Para 2010, a estimativa manteve-se em US$ 25 bilhões.

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