José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Mercado piora projeção para a indústria e espera retração de 1,30% do PIB em 2015

Segundo o Relatório Focus, do Banco Central, produção industrial deve cair 3,20% neste ano; projeção para inflação subiu para 8,46%

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2015 | 09h10

BRASÍLIA - O Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou um mergulho das previsões dos analistas para a produção industrial de 2015. A mediana das estimativas passou de uma expectativa negativa de 2,80% para 3,20%. Há um mês, a previsão para o setor fabril era de uma retração de 2,50%.

Com essa alteração, a expectativa mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma retração de 1,27% da semana anterior para 1,30% agora. Há quatro semanas, a projeção era de recuo de 1,20% do PIB deste ano. Para 2016, foi mantida a estimativa de crescimento de 1% pela oitava semana seguida. Também não foi encontrada alteração das projeções para a produção industrial de 2016, cujas as apostas de expansão para a indústria seguem em 1,50% há nove semanas consecutivas.

Apesar da retração da economia esperada para 2015, a alta de preços não deve dar trégua, segundo analistas. Às vésperas da divulgação do IPCA fechado de maio, os analistas ouvidos pelo Banco Central elevaram a previsão para o IPCA deste ano pela oitava semana consecutiva. A expectativa é que o índice oficial de inflação encerre 2015 em 8,46%, contra 8,39% da semana anterior. 

Caso a estimativa para 2015 se confirme, o IPCA encerrará o ano muito acima do teto da meta do governo, de 6,5%. Para o fim de 2016, a mediana das projeções para o IPCA também ficou inalterada - pela terceira semana consecutiva - em 5,50%.

Mais uma rodada de alta das previsões do mercado financeiro para a alta dos preços administrados em 2015, mas, desta vez, com menor intensidade. A mediana das estimativas para esse conjunto de preços passou de 13,90% para 13,94%. Para 2016, a expectativa no boletim Focus apresentada hoje trouxe manutenção, em 5,80%. 

Segundo a mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a alta dos preços administrados em 2015 será de 11,8%, e não mais de 10,7% como no documento anterior. Uma edição atualizada será apresentada na próxima quinta-feira. No caso de 2016, a previsão de elevação de 5,2% desse conjunto de preços foi substituída pelo BC por uma expansão de 5,3%. Essa previsão para os administrados deste ano leva em conta uma alta de 38,3% na tarifa de energia elétrica, mesma expectativa do ata anterior. No caso de telefonia fixa a previsão da diretoria do BC é de uma queda de 4,1% em 2015, mesmo valor considerado no Copom anterior.

Juro. Entre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros para 13,75% ao ano na semana passada e a divulgação da ata do encontro na próxima quinta-feira, o mercado financeiro manteve suas estimativas para quase todas as variáveis que englobam a Selic no Relatório de Mercado Focus. Foi mantida a mediana com a expectativa de que a taxa básica de juros avançará para 14% ao ano no final deste ano. No caso do fim de 2016, a mediana das projeções permaneceu em 12,00% ao ano. 

Dólar. A estimativa para o dólar no encerramento de 2015 continuou em R$ 3,20 pela sexta vez seguida. Já a cotação final de 2016 seguiu em R$ 3,30 pela nona edição do documento.

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