Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Mercado piora projeções para a inflação e o crescimento do PIB

Segundo o relatório Focus, divulgado pelo BC nesta segunda, o IPCA deve fechar o ano em 8,69%, bem acima do teto da meta, de 5,25%

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 09h56
Atualizado 18 de outubro de 2021 | 14h41

A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta (5,25%) perseguida pelo Banco Central (BC), conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 18. A expectativa subiu de 8,59% para 8,69%, a 28ª alta consecutiva. Há um mês, estava em 8,35%. A projeção para o índice em 2022 também continuou subindo, de 4,17% para 4,18%, no 13.º aumento seguido. Quatro semanas atrás, estava em 4,10%.

As estimativas para o IPCA, a inflação oficial, foi mantida em 3,25% para 2023 e em 3% para 2024. 

 

O centro da meta da inflação para este ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). 

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" a Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Os analistas ouvidos pelo BC para o relatório Focus reduziram a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 de 5,04% para 5,01%. Para 2022, a previsão de expansão do PIB passou de 1,54% para 1,50%. 

Sem alteração na taxa básica de juros

Mesmo com a revisão na estimativa da inflação, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic, a taxa básica, no fim deste ano e em 2022. Para 2021, a estimativa seguiu em 8,25% e, para o ano que vem, continuou em 8,75%.

Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu pela quinta vez consecutiva a Selic e manteve o ritmo ao elevá-la em 1 ponto porcentual, para 6,25% ao ano. O colegiado sinalizou um novo aumento de mesma magnitude para a próxima reunião, nos próximos dias 26 e 27.

Na comunicação oficial, o BC indicou que a manutenção do atual ritmo associada ao aumento da magnitude do ciclo para patamar significativamente contracionista "é a estratégia mais apropriada para assegurar a convergência da inflação para as metas de 2022 e 2023".

Em declarações recentes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o BC tem foco em 2022 e que a "melhor maneira de agir é manter o ritmo de ajuste". Outros diretores, porém, já indicaram que não há um "compromisso" com um passo de alta de juros, a depender da evolução do cenário. 

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