Mercado pode fazer hoje o ajuste do ajuste

Primeiro foi o ajuste do otimismo desbragado. Agora, pode ser o vez de ajustar o ajuste e separar o que é cautela responsável do pessimismo desmedido. Analista consultado pela Agência Estado avalia que o mercado ensaiou na abertura de hoje um comportamento um pouco mais moderado, sem repetir o repique de nervosismo destes primeiros dias de fevereiro. O mercado tenta fazer uma leitura mais ponderada da combinação de más notícias que agitou os negócios ultimamente. Sobre a crise na base aliada, todos admitem que os nervos estão à flor da pele em Brasília e que o espaço para sustos está aberto até a eleição na Câmara e no Senado. Mas a maioria não abraça as teses mais alarmistas, de que a governabilidade será prejudicada. Por ora, aposta-se apenas num rearranjo na base aliada, turbulento, mas sem rompimentos definitivos. "ACM foi um grande aliado nos primeiros anos do governo, mas há muito tempo já está mais na oposição do que na situação", comentou o profissional. Outro fator negativo do cenário é o temor de recessão nos EUA, mas, neste caso, o quadro em fevereiro é praticamente o mesmo de janeiro. As dúvidas são as mesmas e não justificariam tanta volatilidade agora. Se a recessão for profunda e demorada nos EUA, o mundo todo perde, mas, se for moderada e o crescimento voltar mesmo no segundo semestre, o Brasil pode ganhar com a queda dos juros e do petróleo. Sobre o contencioso com o Canadá, notícias de hoje são de que os EUA podem voltar a comprar carne brasileira se o Brasil provar que não tem a "vaca louca". Trabalho para o Itamaraty, mas sinal de que este pode ser mais um round da briga com o Canadá, e não uma ação generalizada dos países ricos contra o Brasil. Quanto à balança comercial, que abriu fevereiro tão mal quanto fechou janeiro, analistas admitem que não há motivos para otimismo, mas se mostram resignados: com a economia crescendo, vai ser difícil ter superávit este ano. Isto mostra que o dólar não tem muito espaço para cair, mas não chega a ser fator de pessimismo. "A inflação está baixa e tem se mostrado pouco sensível ao câmbio", comentou um operador. De resto, a economia segue firme, como mostra a produção industrial do IBGE divulgada hoje cedo (crescimento de 7,2% em dezembro e de 6,5% em 2000) e as apostas ainda são positivas para o Brasil. A fonte consultada observou que o próprio otimismo deslavado de janeiro, quando a bolsa disparou e os juros cederam continuamente, ajudou a criar o ambiente propício ao solavanco dos últimos dias. "O mercado estava sedento para realizar lucros e alguns players chegaram a sobrevalorizar as más notícias para justificar suas operações", comentou o analista. No caso do câmbio, uma saída de mais de US$ 450 mi também ajudou a disparar os preços ontem. Hoje, a moeda americana já esteve abaixo de R$ 2,00 e operava há pouco em queda de 0,10%.

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