Mercado pode virar com demora do pacote

A confiança dos mercados na capacidade do governo argentino de afastar a ruptura no curto prazo pode ficar abalada, conforme demora o anúncio do pacote de medidas indispensáveis para ajustar a economia. Não se reverteram as expectativas pessimistas no longo prazo, mas mesmo para manter o déficit zero nos próximos meses, é necessário realizar novos apertos. Esperava-se o pacote imediatamente depois das eleições legislativas de 14 de outubro.Ontem à noite o governo federal realizou duas reuniões de importância central para o sucesso do pacote, mas não chegou a um acordo com nenhum dos interlocutores. Em uma, procurava determinar as condições para um corte nos repasses de verbas às províncias em troca da renegociação das suas dívidas a juros e prazos mais favoráveis. Na outra, a equipe econômica tentou convencer os bancos e administradoras de fundos de pensão a aceitar a redução de juros e alongamentos de prazos. Ambos pedem garantias e o impasse continua.Segundo apurou a correspondente Marina Guimarães, dada à falta de um consenso, os governadores prepararam um documento contendo uma contra-proposta totalmente contrária ao que o presidente Fernando De la Rúa propõe. O documento diz , basicamente, que a transferência de recursos nacionais para as províncias será mantida em US$ 1,364 bilhão para este ano e o próximo. Para os anos seguintes, a cifra subiria gradualmente da seguinte forma: em 2003 para US$ 1,400 bilhão, em 2004 para US$ 1,440 bilhão e em 2005, o aumento seria para US$ 1,480 bilhão. Os governadores, no entanto, aceitam o pagamento de 13% da dívida vencida com o bônus Lecop, à cargo da União. Ainda falta a reestruturação da dívida externa, também complicada. As agências de classificação de risco já avisaram que rebaixarão os ratings (notas de avaliação de risco) da Argentina se houver perda para os investidores. Isso significaria um aumento significativo de restrições a linhas crédito e um mercado ainda menos receptivo a títulos do país. Segundo elas, os US$ 8 bilhões de agências multilaterais em garantias são insuficientes para as necessidades da negociação. Por outro lado, a dívida cresce a taxas astronômicas e, se nada for feito, o calote, cedo ou tarde, será inevitável.Os investidores vinham mantendo a calma, em parte por causa da capacidade que o governo vem tendo, no último ano, de empurrar a crise com a barriga, apesar do crescente pessimismo dos mercados. Os esforços do presidente Fernando de la Rúa e da sua equipe econômica são inegáveis e as negociações em curso parecem plausíveis. Mas, com a demora, podem começar a surgir temores de que tenha chegado o momento em que o governo não pode evitar a ruptura, já que as perspectivas para o longo prazo continuam muito ruins.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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