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Mercado põe em dúvida índices chineses

Yuan registra sua maior queda em décadas e a preocupação é de que a economia piore com o governo dando sinais de nervosismo

Neil Gough, THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2015 | 02h02

HONG KONG - Quando a economia chinesa mostrou sinais de fraqueza em crises recentes, sua moeda não se rendeu. Manteve-se firme, ou até fortalecida, mesmo quando países vizinhos ou parceiros comerciais adotaram medidas rápidas para desvalorizar as próprias moedas de maneira a enfrentar os efeitos colaterais da situação na China. Com o yuan registrando agora sua maior queda em décadas, a preocupação é de que a economia, já com sinais de desaceleração, piore com o governo dando sinais de nervosismo.

Pelos cálculos oficiais, a economia vem crescendo 7%, de acordo com as metas do governo. Ainda é um ritmo estável que, segundo Pequim, pode respaldar um aumento do nível de emprego e colocar mais dinheiro no bolso do consumidor. Mas, num exame mais profundo, o quadro é diferente e mais preocupante.

Setores essenciais da economia, como o da construção, estão fragilizados, com o setor imobiliário em dificuldades. Os gastos de consumo, que supostamente contrabalançariam as deficiências de outros setores, não estão tão vigorosos. E os serviços financeiros, um importante motor de crescimento econômico quando o mercado acionário estava em expansão, vêm perdendo força.

Os dados fornecidos pela China são de certo modo suspeitos. Os economistas questionam se, apesar dos números oficiais mostrarem um crescimento da economia, algumas províncias já não estão em recessão. "Para ser honesto, ninguém tem ideia da situação real da economia e não acho que ela seja medida corretamente", disse Viktor Szabo, gestor de investimentos na Aberdeen Asset Management. "Certamente há uma desaceleração. Você pode discordar quanto ao patamar, mas não está em 7%", acrescentou.

Holofotes. As medidas drásticas adotadas pelo governo para a moeda deixaram a situação da economia mais em evidência. O governo permitiu uma nova queda do yuan ontem depois da drástica desvalorização de terça-feira. O valor oficial da moeda frente ao dólar caiu 3,5% em relação aos dois últimos dias.

Apesar de o governo declarar que o objetivo é tornar a moeda mais orientada para o mercado, a desvalorização também foi uma bênção para os exportadores. Em termos relativos, os produtos chineses, como roupas ou eletrônicos, ficarão mais acessíveis para os consumidores nos EUA e na Europa. O governo tem adotado medidas inusitadas, cortando juros e liberando mais recursos para os bancos emprestarem.

Mas a liderança também tem recorrido a meios não convencionais nos últimos meses para tentar amortecer o impacto, uma vez que a expansão desenfreada da economia voltou à normalidade.

O plano da China é se desvencilhar de um modelo de crescimento baseado no endividamento, o que provocou investimentos feitos pelo governo inúteis. A meta dos dirigentes é que os consumidores se tornem o principal motor da economia, e isso levará tempo.

A ideia é manter o crédito fluindo para projetos selecionados, um programa nacional equivalente a trilhões de yuans de investimento em nova infraestrutura, como a reurbanização de bairros miseráveis, a expansão de ferrovias e estradas e a construção de estações de tratamento de esgoto. Os investimentos em infraestrutura aumentaram, mas não compensaram a redução de gastos para a criação de novas fábricas e edifícios de apartamentos. Em julho, os investimentos em ativos fixos subiram 11,2%, o menor aumento em 15 anos.

Os consumidores não podem arcar com a responsabilidade de estimular a economia. Apesar de a renda ter aumentado, o mercado de trabalho mostra sinais de estresse. O número de vagas vem diminuindo.

O recuo do mercado de ações também teve um impacto negativo. Os investidores aplicaram dinheiro na bolsa no ano passado e muitos agora contabilizam prejuízos. Como resultado, os consumidores estão gastando menos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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