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Mercado positivo exige cuidado com a tentação do ''salto alto''

Mudança de emprego por vaidade pode representar prejuízo à carreira do executivo no longo prazo

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

Como dizem os americanos, o telefone está tocando. Quando você menos esperar, as boas notícias sobre o mercado de trabalho - o desemprego marcou 5,7% em novembro, o menor da série do IBGE - podem ter reflexos na sua carreira. Em tempo de bonança, empresas assediam os talentos, que passam a selecionar ofertas. Mas a prosperidade exige cuidado. A autoconfiança em excesso - o popular "salto alto" - deve ser evitada mesmo com evidências sejam 100% positivas.

Segundo Marcelo Santos, presidente da consultoria Doers, uma velha fórmula jamais perde a validade: não vale trocar o certo pelo duvidoso. "É comum que uma pessoa empregada receba propostas, mas o mesmo pode não acontecer caso ela venha a ser demitida em alguns meses." Para o consultor, toda a mudança traz riscos, e o "oba-oba" pode não se sustentar no longo prazo. "Não se sabe quando, mas devem ocorrer "solavancos" na economia nos próximos anos."

A opinião de consultores consultados pelo Estado é que qualquer mudança por motivo meramente econômico não se sustenta. Para Santos, progressão salarial inferior a 25% não justifica o risco. A sócia-diretora da consultoria Mariaca, Patricia Epperlein, diz que é preciso cuidado para não valorizar demais o fator qualidade de vida. "A pessoa tem que pensar de quanto precisa para viver. Não existe fórmula mágica: se você for trabalhar menos, vai ganhar menos."

Patricia lembra que a busca por executivos está ampliada em termos de região. Se a pessoa certa para um cargo de alto escalão não é encontrada em determinado local, a procura pode se estender por todo o País, caso necessário. "A moral da história: não é porque há vagas abertas que você será contratado."

Retenção. Porém, como o mercado vive fase de busca por mão de obra, o sócio da consultoria Exec, Carlos Eduardo Altona, diz que o tema retenção é hoje a principal preocupação das áreas de RH. Segundo ele, o principal item é a definição das lideranças. "É o líder quem gerencia a carreira do funcionário. E é preciso que ele faça as escolhas certas."

A Arysta Life Science, do grupo de private equity irlandês Ieil, desenvolve atualmente um projeto dedicado a reter talentos. Segundo a gerente de recursos humanos da empresa, Telma de Faria Sottovia, a meta é identificar entre os 230 funcionários as pessoas-chave para obtenção de resultados, adequando os desafios ao desempenho do trabalhador.

Dentro do projeto, a Arysta revisou a política de remuneração e passou a publicar regras de progressão de cargos na intranet. Nas contrapropostas, diz Telma, valem os requisitos estabelecidos, e não o valor da oferta da concorrência. "Ficamos na faixa de remuneração definida para o cargo. E analisamos o desempenho: muitas vezes, o ciclo da pessoa na empresa já se encerrou."

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