Mercado preocupado com fraudes nos EUA

A instabilidade das bolsas em Nova York e o ritmo fraco dos negócios impediram a recuperação que se ensaiava das cotações nesta manhã. Depois de subir até 1,5% no meio da manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) entrou no período da tarde com pequena baixa de 0,20% e o dólar está estável em R$ 2,8400. Os investidores reagiram bem à queda de Lula na pesquisa Ibope, mas as bolsas norte-americanas reverteram as altas da abertura e passaram a operar em baixa. Além da imprevisibilidade da eleição, também pesa sobre a bolsa a instabilidade do mercado externo, sobretudo o americano. As bolsas de Nova York, que já caíram ontem mostrando indiferença ao discurso do presidente Bush contra as fraudes empresariais, retomaram a queda nesta quarta-feira e a maior incerteza é com a capacidade de liderança do governo americano em caso de a crise dos balanços nas bolsas ameaçar a economia real. O ambiente permanece nervoso em Wall Street, com investidores avessos a apostas no incerto mercado acionário norte-americano. Acionistas da Halliburton, empresa de serviços de exploração de petróleo, de engenharia e construção, abriram processo contra Dick Cheney, vice-presidente dos EUA, e outros diretores da empresa por causa de sobrevalorização de receitas. Cheney foi presidente e diretor-executivo da empresa entre 1995 a 2000. Às 15h, a queda da Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - superou os 180 pontos (2,35%) e o pregão foi suspenso por 30 minutos. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caía 1,85%.O mercado considerou relativamente positiva a pesquisa Ibope divulgada ontem. Agradou especialmente a queda do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, para 34%. Ver o petista de volta a este patamar soa tranquilizador para um mercado que se assustou meses atrás quando Lula chegou a bater em 43% no Datafolha, insinuando uma ameaça de vitória no primeiro turno. O crescimento de Ciro Gomes, de 11% para 18%, assim como a pequena queda de José Serra, não foi bem recebido, mas, não afetou os negócios hoje porque já havia sido precificado.Vários argumentos são usados para relativizar a preocupação com o crescimento de Ciro. O principal é o fato de ele ter sido o candidato mais beneficiado recentemente pela exposição na mídia, uma vantagem que pode não se repetir a partir de agora, já que é Serra que terá o maior tempo no horário eleitoral gratuito. Além disso, apesar do discurso inflamado, Ciro foi tucano, ministro da Fazenda no lançamento do real e um prefeito e governador com fama de austero. Outro ponto lembrado são as alianças do candidato com políticos identificados com as forças de mercado, como Tasso e Bornhausen - que certamente terão influência num eventual governo Ciro -, e ACM, este um dos líderes mais emblemáticos da direita no Brasil.O cenário eleitoral não está definido. Além de Ciro, vale lembrar que só o número de indecisos cresceu no Ibope, em cinco pontos. Além disto, deve-se ponderar que Serra deve continuar como o candidato favorito dos investidores e Ciro só deve ser escolhido pelo mercado se for como alternativa a Lula. Assim, o resultado do Ibope, embora possa ser bem recebido, não deve encorajar apostas mais ousadas.MercadosA cotação do dólar à vista registrou baixa durante boa parte da manhã, chegando à mínima de R$ 2,8400, com queda de 0,49%. Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a mostrar alta de 0,32%, cotada a R$ 2,8630. Mas ao encerramento do período, a situação era neutra e o dólar valia R$ 2,8540, na mesma cotação do fechamento de ontem. Na intervenção desta manhã, o Banco Central resolveu juntar as cotas de US$ 50 milhões de hoje e de ontem, quando deixou de operar no mercado à vista devido ao feriado em São Paulo. Às 13h58, a Bolsa de Valores de São Paulo operava em baixa de 0,02%, em 10.684 pontos. O Índice da Bovespa mostrou comportamento relativamente homogêneo hoje de manhã, sem grandes variações de alta ou baixa. A maior queda às 13h42 era registrada por Siderúrgica Tubarão PN (preferenciais, sem direito a voto), que caiu 3,63%, seguida por Klabim PN, com baixa de 3,41%. O ranking de altas era liderado pelo papel Eletropaulo PN, com valorização de 3,95%, seguido por Tele Centro Oeste PN, que subiu 3,61%. O mercado de juros teve um dia tranqüilo, com a recuperação do mercado de dívida externa. Hoje, os C-Bonds recuperaram seus preços e chegaram a subir mais de 3%. Em conseqüência, o risco-país recuou e ficou abaixo de 1.600 pontos. Esse alívio lá fora, aliado a uma leitura mais positiva sobre a pesquisa eleitoral, abriu espaço para uma queda das taxas projetadas no mercado de futuros. O DI de janeiro, o mais negociado, tinha há pouco taxa de 23,650%, contra 23,800% do fechamento de segunda-feira. Na abertura, esse contrato chegou a operar com taxa de 23,000%.

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 15h16

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