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Mercado prevê alta da Selic para 10%

De 80 instituições consultadas, 79 apontam que Copom anuncia hoje alta de 0,5 ponto na taxa de juros, que volta aos dois dígitos

Eduardo Cucolo, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2013 | 02h12

BRASÍLIA - Após permanecer 20 meses e 20 dias abaixo de 10% ao ano, a taxa básica de juros (Selic) deve retornar hoje ao patamar de dois dígitos, deixando para trás um dos principais objetivos do governo Dilma Rousseff. Essa é a expectativa quase unânime dos economistas para a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2013. Os juros estão em 9,5% ao ano. Desde maio, o Banco Central mantém um ritmo de aumento de 0,5 ponto porcentual na Selic a cada reunião do comitê.

A instituição também tem repetido em seus comunicados que "essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano". A possível manutenção desse texto, no comunicado que será divulgado ao final da reunião, é vista pelo mercado como sinal de que fica aberta a possibilidade de novas altas de juros em 2014.

Levantamento feito pelo AE Projeções, serviço da Agência Estado, mostra que 79 de 80 instituições esperam para hoje outro aumento de 0,50 ponto porcentual, para 10% ao ano. Apenas uma, a CM Capital Markets, crê num aumento menor, para 9,75% ao ano, encerrando o ciclo de alta iniciada em abril também com um aumento de 0,25 ponto porcentual.

O levantamento mostra ainda que a grande maioria do mercado financeiro avalia que a Selic permanecerá acima de 10% em 2014, podendo chegar a até 13% ao ano. Esse seria o maior patamar do governo Dilma, que assumiu o Palácio do Planalto com a Selic a 10,75% ao ano.

Risco cambial. Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, a decisão do BC por um aumento dos juros para dois dígitos deve ser influenciada, principalmente, pela manutenção das expectativas de inflação em nível acima do centro da meta de 4,5% e pelo risco gerado pela desvalorização do câmbio. "Apesar de ter recuado recentemente, a inflação ao consumidor ainda se mantém em patamar elevado." Para ele, sem a ação do BC, "o rompimento do teto da meta será apenas questão de tempo".

O professor de economia da Universidade Mackenzie Pedro Raffy Vartania destaca que mudanças na política monetária dos EUA causarão impacto no mercado de câmbio e vão resultar em volatilidade no cenário internacional, o que deve exigir mais duas elevações da Selic em 2014, que poderá atingir 11% ao ano. No início do governo Dilma, o BC levou a taxa 12,5% em julho de 2011.

Em agosto daquele ano, o BC iniciou um processo de corte nos juros que surpreendeu o mercado, principalmente por causa da inflação, que estava em alta e fechou o ano em 6,5%, limite da meta perseguida pela instituição. A partir daí, o governo passou a trabalhar com a ideia de trazer a taxa para o menor nível da história do Copom, o que ocorreu em outubro de 2012, quando a Selic chegou a 7,25% ao ano.

Naquele ano, a presidente chegou a dizer que os juros haviam alcançado patamar "mais civilizado" e, graças ao "compromisso com a solidez das contas públicas", o governo havia criado "esse ambiente para que a taxa de juros caísse". Também começou a pressão para que os bancos reduzissem as taxas cobradas de seus clientes, junto com a política de usar as instituições públicas para diminuir o custo do crédito.

Apesar dos juros menores, o crescimento econômico continuou abaixo das previsões oficiais. Ao mesmo tempo, a inflação continuou elevada e estourou o limite da meta no primeiro trimestre de 2013. Em março, o BC já sinalizava que iria voltar a elevar os juros, mas a presidente afirmou não acreditar em "políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico", abalando a confiança na política monetária. Após a ação do BC, a inflação em 12 meses recuou, mas as previsões do mercado são de que voltará a subir em 2014.

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