Mercado prevê déficit em conta corrente de US$ 81,5 bi em 2014

Pesquisa Focus indica que estimativa para rombo nas contas públicas em 2014 aumentou; projeções para inflação e PIB foram mantidas

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 09h24

BRASÍLIA - A projeção de analistas do mercado para o déficit em conta corrente em 2014 subiu de US$ 81 bilhões para US$ 81,5 bilhões, de acordo com relatório Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, 27. Para 2015, a previsão de que haja um rombo de US$ 75 bilhões nas contas públicas foi mantida. Após a vitória de Dilma Rousseff nas urnas, o governo divulga hoje os números da dívida pública para setembro.

As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se mantiveram estáveis nesta edição da pesquisa, com estimativa de expansão econômica de 0,27% em 2014 e de 1% em 2015. Para a inflação, as estimativas foram mantidas em 6,45% para este ano e 6,30% para o ano que vem.

Conta corrente. O mercado financeiro voltou a ampliar a previsão para o rombo das transações correntes em 2014. A mediana das projeções para esse indicador estava em US$ 81 bilhões na semana passada e agora ficou em US$ 81,50 bilhões. Um mês atrás, a mediana das estimativas era de US$ 81,2 bilhões.

Para 2015, a mediana das estimativas continuou no patamar negativo de US$ 75 bilhões, o mesmo nível verificado na semana passada. Quatro semanas atrás estava em US$ 76,45 bilhões. 

Para esses analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) será insuficiente para cobrir o rombo, já que a mediana das previsões para esse indicador segue em US$ 60 bilhões há 28 semanas para 2014. Para 2015, a mediana também está em US$ 60 bilhões, mesmo nível do levantamento anterior. Um mês antes estava em US$ 57 bilhões.

Na mesma pesquisa, os economistas diminuíram a estimativa de superávit comercial em 2014, de US$ 2,29 bilhões para US$ 2,10 bilhões. Quatro semanas antes, a mediana estava positiva em US$ 2,40 bilhões. Para a balança em 2015, a projeção caiu de US$ 7,65 bilhões para US$ 7,21 bilhões. Um mês antes, a mediana para a balança em 2015 era de US$ 9 bilhões.

PIB. A pesquisa Focus, que calcula as médias dos indicadores econômicos previstos por diversas instituições especializadas, apontou estabilidade para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). As previsões de expansão de 0,27% para este ano e de 1% para 2015 foram mantidas. 

As perspectivas para o crescimento da economia para este ano se deterioraram significativamente. No fim de julho, a projeção foi de 0,90%. Desde então, na maioria das semanas houve seguidas revisões para baixo. Na penúltima edição da Focus, a mediana das estimativas dos analistas para o PIB subiu após 19 semanas seguidas de queda. Os economistas continuam a acreditar em alguma retomada da atividade em 2015 e mantiveram a taxa mediana para o período em 1%. Quatro semanas antes, a estimativa de crescimento para o próximo ano estava em 1,01%.  

Conforme a pesquisa, o setor manufatureiro terá retração de 2,24% este ano mesma previsão esperada na semana passada. Vale lembrar que um mês antes, a expectativa era de uma diminuição da atividade de 1,95%. Para 2015, a previsão é de recuperação do setor, que deve ter expansão de 1,42% - estava em 1,46% no documento anterior e em 1,50% um mês antes.  

Os analistas ajustaram suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. A pesquisa Focus de hoje aponta que a mediana da semana passada, de 35,10%, foi alterada para 35,25%. Um mês antes estava em 35%. Já o ponto central da pesquisa para a relação em 2015 ficou inalterado em 35,75% de um levantamento para o outro. Quatro semanas antes, porém, estava em 35,50%.

Inflação. No último relatório antes do resultado da eleição presidencial, houve pouquíssimas alterações nas previsões para a economia brasileira. A mediana das projeções para o IPCA de 2014 ficou inalterada em 6,45% de um levantamento para o outro. Um mês atrás, a estimativa para o indicador estava em 6,31%. Para 2015, a mediana ficou estacionada em 6,30%, patamar em que já estava na semana passada e também quatro semanas atrás. 

Juros. Na semana de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o rumo da taxa básica de juros, segue inalterada pela 21ª vez a projeção do mercado financeiro de que o colegiado irá manter a Selic inalterada até o fim do ano. 

A mediana das estimativas para a taxa básica de juros segue em 11%, que é o patamar atual. Com a estagnação das previsões, a Selic média deste ano também não sofreu alterações e está estacionada em 10,91% também pelo mesmo número de semanas.   

Finalmente os analistas chegaram a um consenso sobre o patamar da Selic ao final do ano que vem. Nos levantamentos passados, a mediana das projeções seguia em 11,88%, o que demonstrava uma divisão do mercado entre uma taxa de 11,75% e 12% ao final do período, já que o Banco Central apenas promove alterações de múltiplos de 0,25 ponto porcentual por vez. 

Agora, a previsão é de que o aperto monetário será menor, levando a taxa básica a 11,50% ao ano ao final do período. Um mês antes, a mediana estava em 11,38%.  Apesar dessa manutenção das projeções, a Selic média de 2015 continuou em 11,69%, como no levantamento anterior. Quatro semanas atrás estava em 11,41%.

Câmbio. No último levantamento antes da definição das eleições, o mercado financeiro optou mais uma semana por não mexer nas estimativas para a cotação para o dólar para o fim deste ano e de 2015. O boletim revela que a mediana para o fim de dezembro de 2014 continuou em R$ 2,40 como na semana passada - há um mês, estava em R$ 2,35. Já para 2015, a cotação permaneceu em R$ 2,50 de uma semana para outra - um mês antes estava em R$ 2,45. 

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