Mercado prevê desaceleração no 3º tri

Pesquisa da 'AE Projeções' mostra que há apostas até em queda de 0,5%, puxada pela piora da confiança de empresários e consumidores

DENISE ABARCA, FLAVIO LEONEL, MARIA REGINA SILVA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h04

A surpresa positiva com o crescimento do PIB no segundo trimestre reforçou ainda mais a percepção de que o ritmo de expansão da economia perderá bastante força no segundo semestre, com aumento da possibilidade de uma retração entre os meses de julho a setembro.

Pesquisa relâmpago realizada pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado, logo após a divulgação do resultado do PIB, com 15 instituições, mostra que as estimativas para o terceiro trimestre vão de redução de 0,50% a uma alta de 0,30%, com a maior parte das previsões apontando crescimento zero. O PIB do segundo trimestre superou o teto da pesquisa do AE Projeções, que era de 1,30%.

Segundo os analistas financeiros, o desempenho da economia entre julho e setembro será pior não somente pelo efeito estatístico da base de comparação mais forte com o segundo trimestre, mas também porque os dados antecedentes já conhecidos apontam para uma desaceleração da economia, com destaque para a piora da confiança de empresários e consumidores no mês passado.

Dada a alta inesperada do PIB, os economistas passaram a ajustar seus números futuros, buscando apurar o que provocou o descasamento das estimativas.

Na abertura dos dados do segundo trimestre, um dos fatores subestimados pelo mercado foi o PIB da indústria, com aumento de 2% em relação ao primeiro trimestre. Esse foi o ponto destacado pelo estrategista-chefe da CGD Securities, Mauro Schneider, que previa PIB geral de 1% e está entre os profissionais que ainda não têm uma projeção para o terceiro trimestre. "Os dados ainda não trazem muita segurança para esta projeção. O que todos sabemos é que o terceiro trimestre terá significativa desaceleração, mas não acredito em retração."

Deterioração. O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, trabalha com uma expectativa preliminar de queda de 0,20% para o PIB do terceiro trimestre. Segundo ele, a previsão de um número "decepcionante" para o período está amparada nos indicadores antecedentes (confiança) da indústria, serviços e construção civil. "Além disso, há dois fatores que devem influenciar a atividade doméstica nos próximos meses: o impacto do ciclo de aperto monetário que começou em abril e a nítida deterioração do ambiente internacional, principalmente, para os mercados emergentes", enfatizou.

A economista da ARX Investimentos Camila Alhadeff Monteiro prevê queda de 0,50% para o PIB do trimestre, no piso da pesquisa. A avaliação se baseia no efeito estatístico, na queda da confiança na economia e na perspectiva de redução do consumo e da produção industrial.

Menos pessimistas, alguns bancos esperam variação zero para o PIB do segundo trimestre, caso do Goldman Sachs. "Não descartamos que a economia fique virtualmente estável no terceiro trimestre, afetada pela moderação no emprego e na renda real, o agudo declínio na confiança de empresários e consumidores e condições mais apertadas de financiamento doméstico e externo mais exigentes", avalia o banco.

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