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Mercado prevê economia mais forte só no 2º semestre

Projeções do PIB do 2º trimestre, a ser divulgado hoje, estão em torno de 0,5%. Mas incentivos ainda terão impacto

FERNANDO DANTAS/RIO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h01

O mercado financeiro prevê crescimento modesto do PIB no segundo trimestre, em torno de 0,5% (na comparação com o primeiro trimestre, na série livre de influências sazonais). Para o segundo semestre, porém, a projeção é de aceleração, na esteira das medidas de estímulo do governo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje de manhã, no Rio, os resultados do PIB no segundo trimestre.

"Boa parte do impulso (no segundo semestre) virá dos estímulos localizados que estão sendo dados pelo governo, e também por um setor agrícola um pouco melhor", diz José Márcio Camargo, economista da gestora Opus, no Rio, que prevê crescimento de 0,5% no segundo trimestre.

Entre as muitas medidas de incentivo do governo, estão a queda de cinco pontos porcentuais da Selic, a taxa básica, desde agosto de 2001, e as isenções tributárias para vários segmentos, como automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção.

O economista Fernando Rocha, sócio da gestora JGP no Rio, também prevê 0,5% de crescimento no segundo trimestre, com aceleração para 0,8% no terceiro. Para 2012, ele projeta aumento de 1,3% do PIB.

Mas Rocha diz que pode elevar essas previsões, a depender dos próximos indicadores: "Pela primeira vez em muito tempo, acho que o risco de mudarmos nossas projeções aponta para cima", observa.

Ele espera um leve avanço de 0,2% da produção industrial de julho, a ser divulgada na próxima terça, mas acha que em agosto o indicador pode vir mais forte. Rocha estima que 400 mil carros possam ter sido vendidos em agosto, com o ajuste de estoques puxado pela redução do IPI.

O otimismo dos analistas com o segundo semestre, porém, é contrabalançado por preocupações de médio e longo prazo. Camargo, da Opus, preocupa-se com o momento em que os estímulos acabarem, lembrando que isenções tributárias funcionam para antecipar o consumo, que pode ceder mais adiante.

Para o economista, o problema da economia brasileira é menos de demanda e mais de custo e competitividade, afetando especialmente a indústria. Assim, a médio e longo prazo, ele vê a capacidade de crescimento no intervalo de 3% a 3,5%, e não de 4% a 4,5%, como querem o governo e parte do mercado. A Opus prevê que o crescimento do PIB suba a 1% no terceiro trimestre, mas volte a cair para algo entre 0,5% e 0,7% no quarto.

Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra, aponta para os números do crédito de julho, com resultados "um pouco decepcionantes" de novas concessões e inadimplência. "O que vemos é uma recuperação moderada, e não que a economia já deslanchou", diz Kawall.

Para o economista Silvio Campos Neto, da consultoria Tendências, "as medidas de incentivo ajudam no curto prazo, mas não resolvem os velhos problemas de competitividade e infraestrutura".

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