Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mercado prevê inflação de 7,15% e crescimento zero em 2015

Na sexta revisão para baixo seguida, o relatório Focus apontou para um PIB de 0% neste ano; inflação, pelo contrário, segue em tendência de alta por conta dos preços administrados

Célia Froufe, Agência Estado

09 Fevereiro 2015 | 08h52

BRASÍLIA - Pela primeira vez no Relatório de Mercado Focus, a projeção do mercado financeiro para a atividade brasileira deste ano ficou estável. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 passou de uma ligeira expansão de 0,03% para 0,00%. Esta foi a sexta revisão seguida para baixo desse indicador. Há quatro semanas, a aposta era de uma alta este ano de 0,40%.

Neste domingo, 8, em Istambul, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconheceu que o País não deve crescer em 2015 e que a inflação seguirá elevada no curto prazo.

O relatório Focus, divulgado às segundas-feiras pelo Banco Central, reúne as estimativas de cerca de 100 casas do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas.

Para 2016, a expectativa dos analistas é um pouco mais otimista. A previsão de alta 1,50% foi mantida. A produção industrial segue como setor vital para a confecção das previsões para o PIB em 2015 e 2016.

No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de alta de 0,44% para este ano. Para 2016, as apostas de expansão para a indústria seguem em 2,50%.

Inflação. A expectativa de que o Banco Central não entregará a inflação sem estourar o teto da meta de 6,50% deu mais um passo de afastamento em relação a essa tarefa no relatório Focus. De acordo com o documento, a mediana das previsões para o IPCA deste ano subiu de 7,01% para 7,15%, ficando portanto acima do teto da meta de inflação, de 6,5%. Há um mês, a mediana estava em 6,60%.

No grupo dos economistas que mais acertam as previsões (Top 5), a mediana segue acima da banda superior da meta e aumentou, passando de 6,86% para 7,12%. Na sexta-feira, foi divulgada a inflação de janeiro, que apontou para uma alta de preços de 1,24% em janeiro. Em 12 meses, houve aumento de 7,14%. Os analistas preveem que o IPCA suba 1,02% em fevereiro, segundo o relatório Focus.

O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano, mas conta com um período de declínio mais para frente, levando o indicador a ficar no centro da meta de 4,5% no encerramento de 2016. 

Para o final de 2016, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 foi mantida em 5,60% pela segunda semana seguida - estava em 5,70% quatro semanas atrás.

A expectativa de que os preços administrados (energia, gasolina, etc) serão o maior vilão da inflação este ano ganhou mais força. A mediana das previsões para esse conjunto de itens subiu de 9,00% na semana passada para 9,48% agora. Com essa mudança, a estimativa do mercado ultrapassou a projeção mais recente feita pelo BC, de alta de 9,30% para esses preços. Já para 2016, a expectativa é a de que a pressão para a inflação desse conjunto de itens seja menor. A mediana das estimativas caiu de 5,80% pra 5,50% entre uma semana e outra.

Sobre os preços administrados de 2015, o BC explicou que a projeção em nível elevado considera hipótese de elevação de 8% no preço da gasolina, em grande parte, reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS; de 3,0% no preço do gás de bujão; de 0,6% nas tarifas de telefonia fixa; e de 27,6% nos preços da energia elétrica, devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Juro. Com a continuação da disparada dos preços da inflação corrente e logo depois das mudanças na diretoria do Banco Central anunciadas na semana passada, o mercado financeiro mexeu em suas projeções para o rumo da Selic. As alterações não foram grandes o suficiente para influenciar as taxas de fim de ano, que permaneceram as mesmas das semanas anteriores, mas já foi vista uma alteração nas taxas médias do ano. Essa movimentação embute a expectativa de uma alta maior em 2015 e de uma taxa menor ao longo de 2016.

No Relatório de Mercado Focus, os analistas projetam que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,50% pela nona semana consecutiva. A Selic média para este ano, no entanto, passou de 12,47% (onde estava estacionada há sete semanas seguidas) para 12,63% ao ano. Para o encerramento de 2016, a mediana das projeções foi mantida em 11,50% pela sexta semana seguida. A Selic média do ano que vem, no entanto, passou de 11,69% ao ano para 11,61%.

Dólar. Economistas não mexeram em seus cenários para o câmbio neste e no próximo ano, segundo o Relatório de Mercado Focus. A mediana das estimativas para o dólar em 2015 ficou congelada em R$ 2,80 - a estimativa foi apresentada pela sexta semana seguida. O dólar médio de 2015 também continuou em R$ 2,73 entre uma semana e outra - um mês antes estava em R$ 2,72.

Para 2016, a mediana das estimativas para o dólar segue estável em R$ 2,90 pela segunda semana consecutiva. O câmbio médio para o ano que vem ficou estável em R$ 2,82. 

Comércio exterior. As projeções do mercado financeiro para a balança comercial do próximo ano apresentaram ligeira melhora. A mediana das estimativas para o saldo comercial em 2016 passou de um saldo positivo de US$ 10,51 bilhões para US$ 12 bilhões no período. 

Investimento estrangeiro. Para esses analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) será insuficiente para cobrir esse resultado deficitário em 2015, já que a mediana das previsões para esse indicador está em US$ 60 bilhões ante US$ 59,20 bilhões da semana passada. Quatro edições da Focus atrás, a mediana estava em US$ 60 bilhões.

Para 2016, a perspectiva é de um volume de entradas de US$ 59,50 bilhões em IED, volume que substituiu a expectativa de US$ 60 bilhões apontada pelo mercado há 20 semanas seguidas. 

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