André Dusek/Estadão
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Mercado reduz previsão para a inflação e o PIB

Segundo analistas ouvidos no boletim Focus, do BC, IPCA deste ano ficará em 3,48%, enquanto a economia deve crescer 0,39%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2017 | 08h42

BRASÍLIA - Em meio aos esforços do governo de Michel Temer para superar a crise política, os analistas do mercado financeiro voltaram a reduzir suas projeções para a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 2018. No Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 26, pelo Banco Central, a expectativa para o IPCA – o índice oficial de inflação – este ano foi de 3,64% para 3,48%. Já alta de preços esperada para o próximo ano passou de 4,33% para 4,30%.

O recuo nas projeções de inflação reflete em grande parte a leitura de que a atividade econômica seguirá fraca. No Focus, a projeção para o PIB em 2017 passou de alta de 0,40% para avanço de 0,39%, no terceiro recuo seguido. Para 2018, a expectativa para o PIB caiu de 2,20% para 2,10%. Alguns profissionais, como o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio De Souza Leal, enxergam o PIB do próximo ano a caminho dos 2%.

“A projeção de PIB caiu de 2,20% para 2,10% por conta da crise política. Esses recuos ocorrem há cinco semanas, e coincidem com o período após as denúncias (do empresário Joesley Batista) envolvendo o presidente Michel Temer”, disse. “O mercado estava convergindo para uma alta de 2,5% no PIB e, agora, converge para 2%.”

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No mercado financeiro, as principais dúvidas sobre o futuro da economia giram em torno do andamento das reformas no Congresso – em especial, a da Previdência. Com o governo Temer acuado pelas delações da JBS, o receio é de que a reforma da Previdência seja desfigurada na Câmara e no Senado, ou mesmo não passe pelas Casas.

RELEMBRE: Previsão do mercado para o PIB volta a cair

Com a atividade fraca e a inflação sob controle, os economistas seguiram projetando uma Selic (a taxa básica de juros) de 8,5% ao ano no fim de 2017 e também no encerramento de 2018. As expectativas apontam que a Selic, atualmente em 10,25% ao ano, sofrerá corte de 0,75 ponto porcentual em julho, quando ocorre o próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Alguns profissionais, porém, não descartam a possibilidade de a taxa básica ser reduzida novamente em 1 ponto porcentual.

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