Mercado prevê inflação perto do teto da meta em 2008

Analistas elevam para 6,08%, ante 5,80%, a estimativa para a variação do IPCA; projeção do juro foi mantida

Reuters e Agência Estado,

23 de junho de 2008 | 08h42

O mercado financeiro brasileiro acredita que a inflação no País vai ultrapassar a marca dos 6% este ano, de acordo com o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 23. No levantamento semanal feito pelo Banco Central, os analistas consultados elevaram para 6,08%, ante 5,80%, a estimativa para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008. O teto da meta proposta pelo governo é de 6,5%. Para o próximo ano, a estimativa para o IPCA foi elevada para 4,78%, ante 4,63% projetados na pesquisa anterior.    Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  Alimentos sobem em dose tripla nos países pobres Confira a evolução da Selic desde o início do governo LulaNa semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reconheceu a possibilidade "teórica" de a inflação oficial - o IPCA - superar neste ano o teto da meta de 6,5%, algo antes tido como inconcebível. Meirelles também reafirmou a preocupação do governo ao jornal Financial Times e disse que a "inflação é a principal ameaça para o Brasil e o resto do mundo".   Para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, o mercado financeiro manteve a projeção de que chegará a 14,25% ao ano, em dezembro de 2008. Para o fim do ano que vem, o mercado projeta a Selic em 13% ao ano. A taxa está atualmente em 12,25% ao ano, após a elevação de 0,5 ponto porcentual decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no início do mês.   Já a previsão para a taxa de câmbio, no final deste ano, caiu de R$ 1,70 para R$ 1,68 por dólar. Para o final de 2009, a projeção de câmbio ficou em R$ 1,77.     Índices de preço     As estimativas do mercado financeiro para os IGPs têm números cada vez maiores para 2008. A mediana das estimativas para o IGP-DI em 2008 saltaram de 9,96% para 11,02%, na 15ª alta consecutiva. Há quatro semanas, o número estava em 8,66%.   Em igual trajetória, a estimativa para o IGP-M, número que reajusta contratos de aluguel e tarifas públicas, aumentou de 10% para 10,36%, contra 8,49% de um mês atrás. Para o IPC da Fipe, a estimativa dos analistas passou de 5,52% para 5,79%, ante 4,70% de quatro semanas atrás.   Apesar da forte subida no cenário para 2008, as apostas para 2009 sofreram pouca alteração. A única mudança foi na estimativa para o IGP-DI, que passou de 5% para 5,03%, contra 4,50% de quatro semanas antes. Para o IGP-M, a mediana das projeções seguiu em 5% e para o IPC da Fipe, em 4,50%. Há quatro semanas, os números eram 4,57% e 4,20%, respectivamente.   Com relação à expectativa de aumento dos preços administrados - as tarifas públicas, o mercado elevou a mediana para 2008 de 3,70% para 3,75%. Para 2009, o número subiu de 4,68% para 4,80%. Um mês antes, a estimativa era de 3,70% e 4,41%, respectivamente.     PIB Nos números referentes ao crescimento da economia brasileira, o mercado financeiro manteve a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 em 4,80%. Para o ano que vem, a previsão de crescimento do PIB é de 4%, estável em relação à semana passada.   Em relação à produção industrial, o mercado ajustou para baixo a previsão de expansão este ano, de 5,63% para 5,61%. Já a previsão para a produção industrial em 2009 permaneceu em alta de 4,5%. Contas externas Quanto à balança comercial brasileira, a previsão dos economistas é de um superávit de US$ 23 bilhões em 2008, ante US$ 23,35 bilhões da projeção da semana passada. A previsão do superávit comercial de 2009 passou de US$ 15,61 bilhões para US$ 15 bilhões.Para a conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior), a pesquisa de mercado Focus mostrou projeção de déficit este ano de US$ 23 bilhões. A previsão para o saldo da conta corrente em 2009 é de um déficit de US$ 31,15 bilhões, ante previsão de US$ 30,95 bilhões da semana passada.A previsão para o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) em 2008 caiu de US$ 34,15 bilhões para US$ 34 bilhões. Para 2009, a projeção do ingresso de recursos externos no País foi mantida em US$ 30 bilhões.

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