Mercado prevê nova queda da inflação

Mesmo com a previsão de um novo corte para a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 16,5% ao ano, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar abaixo da meta em 2006, que é de 4,5%. De acordo com a Pesquisa Focus, do Banco Central, que ouviu o mercado financeiro nesta segunda-feira, a inflação deve ficar em 4,43% - ante a previsão de 4,47% da pesquisa anterior. Segundo a previsão do mercado, a próxima reunião do Copom, que será realizada nas próximas terça e quarta-feira, deverá cortar em 0,75 ponto porcentual a Selic, que ficaria em 15,75%. Já para o final do ano, as previsões de juros pararam de cair, permanecendo estáveis em 14%. No final do próximo ano, segundo a Focus, os juros devem ficar em 13%. No que diz respeito à inflação de abril, as previsões de IPCA recuaram de 0,32% para 0,31%. Esta foi a segunda queda seguida dessas previsões, que estavam em 0,35% há quatro semanas. Já para maio as estimativas permaneceram estáveis em 0,25%. Dólar A pesquisa ainda apontou estabilidade para o dólar no final de abril, em RS$2,14, na comparação com o levantamento da semana anterior. Há quatro semanas, estas previsões estavam em R$ 2,12. As estimativas de câmbio para maio também não mudaram, prosseguindo em R$2,14. A mesma tendência foi vista nas previsões para a cotação da moeda norte-americana para o final do ano. Segundo a pesquisa, ela deve ficar em R$2,20, valor estimado pela quinta semana consecutiva. No final de 2007, por sua vez, também houve estabilidade nas previsões, em R$2,35. Apesar da manutenção das estimativas, as expectativas de taxa média de câmbio para este ano recuaram de R$ 2,18 para R$ 2,17. PIB Mesmo com um aumento das previsões para o crescimento da produção industrial, o mercado não tem esperanças que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha um avanço superior a 3,5% em 2006. Segundo a Focus, a indústria brasileira deve produzir 4,48% a mais este ano, estimativa maior para o indicador do que a apresentada na semana passada, quando as previsões estavam em 4,33%. O crescimento do PIB, por sua vez, permaneceu estável pela 50º semana consecutiva. Já para 2007 o clima é de estabilidade total nas previsões. O crescimento da produção industrial foi estimado em 4,5%, ao passo que o PIB deve crescer 3,70%. Dívida A estabilidade também marcou as expectativas para a representatividade da dívida líquida do setor público com relação ao PIB. A Focus previu, pela sétima semana consecutiva, que o indicador ficará em 5,5% em 2006. Já as projeções para 2007 caíram de 49,05% para 49% do PIB. A queda, na prática, apenas anulou a alta ocorrida no levantamento divulgado na semana passada. Superávit em conta corrente Segundo o mercado, a conta corrente de 2006 deve ficar superavitária em US$ 9 bilhões - marcando uma previsão inalterada que já dura nove semanas. O montante que a balança comercial deve acumular durante todo este ano, por sua vez, também não mudou, ficando em US$ 40 bilhões pela 10º semana seguida. Para 2007 também houve estabilidade nas previsões. A conta corrente deve ficar em US$ 4,50 bilhões, enquanto a balança comercial deve atingir um saldo positivo de US$ 35 bilhões. Investimento estrangeiro Mesmo com tantas estimativas de estabilidade, as previsões para o fluxo de investimento estrangeiro (IED) caíram de US$ 15,06 bilhões para US$ 15 bilhões. Com a queda, as previsões de mercado se distanciaram ainda mais dos US$ 18 bilhões esperados pelo próprio BC. Já para o ano que vem estas previsões aumentaram, de $ 16,40 bilhões para US$ 16,50 bilhões. Mesmo com a alta, o valor estimado ainda não voltou aos US$ 16,75 bilhões esperados antes da queda para US$ 16,40 bilhões na semana passada. Este texto foi atualizado às 11h09.

Agencia Estado,

17 Abril 2006 | 09h02

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