Mercado prevê PIB estável para 2009

Projeção do governo de alta de 1% é considerada improvável

Adriana Chiarini, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

Economistas ouvidos pela Agência Estado consideram possível que o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano fique positivo, apesar de o mercado ainda mostrar projeção negativa, em -0,16%, de acordo com o boletim Focus do Banco Central, divulgado anteontem. Avaliam, porém, ser improvável expansão de 1%, como prevê o governo. As apostas convergem para uma variação do PIB próxima de zero este ano, na faixa de -0,5% a 0,5%.

"O emprego e a massa salarial estão melhorando. A indústria está se recuperando, mas sofreu muito, e boa parte da produção industrial é exportada para um mercado que não se recuperou ainda", disse o professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando de Holanda Barbosa.

Para que o PIB crescesse 1% em 2009, observa o economista, teria de apurar expansão alta na margem. De acordo com Barbosa, se até o fim do ano a economia crescesse 2,2% a cada trimestre em relação ao anterior, já a partir do segundo trimestre, a alta no ano chegaria bem próxima do que prevê o governo, ficando em 0,97%.

No entanto, afirmou, se a expansão na margem fosse de 1,6% a partir do segundo trimestre, no fim do ano a variação do PIB teria sido de 0,07%. "É bastante possível um número entre -0,5% e 0,5%, mas 1% é otimismo demais. Todo governo é otimista. Este governo é particularmente superotimista", disse Barbosa, que conta, brincando, ter apostado um almoço que o PIB fica negativo este ano.

Amanhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o PIB do segundo trimestre. "Há uma grande expectativa no mercado para esse número", disse o estrategista-chefe para Mercados Locais do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani. "Nós estamos projetando crescimento de 1,3% em relação ao primeiro trimestre e queda de 1,3% na comparação com o segundo trimestre de 2008. Mas tem gente projetando alta de 2% ou 2,2% na margem", disse. Mesmo que o PIB do segundo trimestre chegasse a 2,2% de expansão, teria que continuar aumentando nesse ritmo nos trimestres seguintes para alcançar a projeção do governo.

A projeção de Padovani para o ano é de -0,2%. "É um cálculo absolutamente impreciso. Há uma dificuldade metodológica com o PIB, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. O máximo que o economista consegue dizer é que o número (para este ano) ficará ao redor de zero."

Analista da Gávea Investimentos e professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Armando Castelar Pinheiro observou que é muito grande a diferença entre a projeção do mercado informada pela Focus, de -0,16%, e a do governo, de 1%. "Só se o mercado tivesse um erro grande aí, de um ponto porcentual ou mais. Não é impossível, mas acho muito improvável", disse Castelar.

Ele comentou ainda que "a projeção do mercado já embute uma aceleração de crescimento forte porque, com a queda no quarto trimestre do ano passado, a gente está partindo muito lá de trás". O impacto da crise levou o nível da atividade a começar este ano bem abaixo da média do ano passado.

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