André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mercado prevê queda maior do PIB em 2016

Estimativas do Focus para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,43% para queda de 3,48%; há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,37%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2016 | 09h03

BRASÍLIA - O Relatório de Mercado Focus desta semana trouxe novas mudanças, para pior, nas projeções de atividade. Pelo documento divulgado nesta segunda-feira, 12 , as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,43% para queda de 3,48%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,37%. 

 

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB no terceiro trimestre recuou 0,8% ante o segundo trimestre e cedeu 2,9% ante o terceiro trimestre do ano passado. Foi a sétima queda consecutiva do PIB brasileiro. Em uma reação aos números, muitos economistas citaram a perspectiva de que a economia brasileira volte a crescer apenas a partir de 2017.    

 

Em suas comunicações mais recentes, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC destacou que o conjunto de indicadores divulgados sugere "atividade econômica aquém do esperado no curto prazo".   

 

Para 2017, o Focus mostra que a percepção também piorou. O mercado prevê para o País um crescimento de 0,70% no próximo ano, abaixo do 0,80% projetado uma semana antes. Há um mês, a expectativa era de 1,13%. Em suas projeções, o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa de crescimento de 1,0% para o próximo ano. 

Inflação. Os economistas do mercado financeiro mudaram também suas projeções para a inflação neste e no próximo ano. O Relatório mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2016 foi de 6,69% para 6,52%. Há um mês, estava em 6,84%. Já o índice para o ano que vem caiu de 4,93% para 4,90%. Há quatro semanas, apontava 4,93%.

 

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2016 e 2017 é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para este ano e de 1,5 ponto porcentual para o próximo. 

 

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano caiu de 6,60% para 6,49%. Na prática, isso significa que estas casas enxergam uma inflação dentro da margem já em 2016. Para 2017, a estimativa foi de 4,76% para 4,55%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 6,83% e 4,81%.

Selic. O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic no final do próximo ano seguiu em 10,50% ao ano. Há um mês, estava em 10,75% a.a..  A abertura dos dados mostra que os economistas esperam uma sequência de seis cortes consecutivos da Selic (os juros básicos da economia) a partir de janeiro de 2017. Com isso, a taxa, que atualmente está em 13,75% ao ano, chegaria a 10,75% ao ano em setembro. 

A Selic média de 2017 passou de 11,69% para 11,63% ao ano. Há um mês, a mediana da taxa média projetada para o próximo ano também era de 11,63%. 

Câmbio. O Focus mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,39 no encerramento de 2016, ante R$ 3,35 de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,22. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,46, ante R$ 3,43 de um mês antes. 

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio seguiu em R$ 3,45 de uma divulgação para a outra, ante R$ 3,40 de um mês antes. Já o câmbio médio de 2017 permaneceu em R$ 3,41 - estava em R$ 3,32 um mês atrás.

 

 

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