Antonio Cruz|Agência Brasil
Antonio Cruz|Agência Brasil

Mercado prevê recessão mais profunda no próximo ano

Relatório Focus aumentou a expectativa de queda do PIB para -2,8% em 2016 e -3,7% em 2015; analistas também esperam inflação maior nos dois anos

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2015 | 09h24

BRASÍLIA - Com o resultado do IBC-Br de outubro em mãos, um pouco pior do que o previsto, analistas do mercado financeiro revisaram mais uma vez suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 e 2016 para baixo. De acordo com o Relatório de Mercado Focus divulgado pelo Banco Central, perspectiva de retração da atividade do ano que vem passou de 2,67% para 2,80%.

Para 2015, a previsão de contração do PIB saiu de 3,62% para 3,70%. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano. Uma nova edição desse documento será divulgada na quarta-feira. 

Mesmo com a aproximação do fim do ano, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 subiu mais um degrau no Relatório de Mercado Focus. Agora, a taxa está em 6,87% ante 6,80% da semana passada. O Banco Central já avisou não focar mais 2016, mas, sim, 2017 em sua tarefa de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%. 

No caso de 2015, a mediana avançou de 10,61% para 10,70%, registrando a 14ª semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável.  Para a inflação de curto prazo, a estimativa para dezembro subiu de 0,90% para 0,98% de uma semana para outra. No caso de janeiro do ano que vem, a taxa permaneceu em 0,84% de uma semana para outra. 

Com o ano prestes a acabar, as projeções do mercado financeiro para os preços administrados de 2015 e 2016 deram uma trégua. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a mediana das expectativas para este ano permaneceu em 18% de uma semana para outra. Para 2016, a mediana das estimativas para os preços administrados prosseguiu em 7,50%. 

Juro. O mercado financeiro saiu do muro e agora projeta que a taxa básica de juros encerrará 2016 em 14,75% ao ano. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o colegiado manteve a Selic inalterada, mas com dois votos dissidentes de alta (0,50 pp). Um próximo encontro está marcado para o dia 20 de janeiro. Desde então, o discurso dos membros do Copom, incluindo o do presidente Alexandre Tombini, se manteve mais duro em relação ao combate ad inflação. 

Dólar. A 10 dias para o fim de 2015, o mercado financeiro mudou pouco sua estimativa para o comportamento do câmbio. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a moeda deve chegar em 31 de dezembro comercializada a R$ 3,90, como já previa na semana passada. Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 3,95. Para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar seguiu em R$ 4,20 pela oitava semana seguida. 

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