Mercado prevê taxa de desemprego de junho entre 8% e 8,5%

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, nesta quarta-feira, a partir das 9h30, a taxa de desemprego do mês de junho. No mercado, segundo analistas ouvidos pela Agência Estado, a expectativa é de que a média de desempregados relativamente à População Econômica Ativa (PEA) feche entre 8% e 8,5% - critério de 30 dias. Em maio, a taxa oficial de desemprego pelo IBGE fechou em 8,4%.O Departamento Econômico do BBV Banco, segundo cálculos feitos pelo economista Luís Afonso Lima, prevê estabilidade para o desemprego. Lima diz estar havendo um crescimento do número de desocupados. Contudo, afirma, isso não significa que esteja ocorrendo desaquecimento do mercado de trabalho.Criação líquida de empregos"Vagas estão sendo criadas, e o número de pessoas que estão começando a trabalhar é até maior do que o número de trabalhadores que estão perdendo seus empregos. Existe uma criação líquida de emprego", afirma o economista do BBV. O problema, segundo Lima, é que, juntamente com o número de ocupados, cresce também o total de desocupados. "Isso acontece porque com a criação de novos postos de trabalho, pessoas que haviam deixado de procurar emprego sentem-se estimuladas a voltar ao mercado em busca de uma colocação", diz o economista do BBV.Lima informa ainda que, por causa dessa melhora do mercado, o emprego cresceu 1,8% do começo do ano até agora, e a renda real avançou 2,4% no mesmo período. "Acabamos tendo uma idéia distorcida, porque estamos em São Paulo que, por ser um estado industrializado, tem perdido muitos postos de trabalho por causa da baixa atividade econômica. Basta ver o setor agropecuário, que vem apresentando taxas crescentes de emprego", lembra Lima.Desalento na procuraA taxa de desemprego, para o economista Aquiles Mosca, da ABN Asset Management, deve fechar em 8,3%, com uma ligeira queda na comparação com a taxa apurada pelo IBGE em maio. Esse pequeno desvio para baixo, segundo Mosca, não pode ser atribuído a uma melhora no mercado de trabalho. Reflete com mais clareza o desalento das pessoas que saíram do mercado de trabalho pela dificuldade de encontrar uma oportunidade de emprego."Depois de muito procurar sem encontrar uma vaga, as pessoas se sentem desalentadas e param de procurar emprego, o que acaba afetando a taxa de desemprego", explica Aquiles Mosca, ressaltando que esse quadro é o espelho da baixa atividade econômica que tem afetado os pedidos do varejo à indústria.SazonalidadeMais otimista, a economista do Banco Modal S/A Carla de Castro Bernardes projeta uma taxa de 8% para taxa de desemprego de 30 dias. A previsão dela mostra uma queda de 0,47 ponto porcentual na comparação com a taxa média de 8,47% apurada em maio pelo IBGE. Carla aposta na sazonalidade do mês de junho, mês em que tradicionalmente o nível de emprego começa a melhorar por causa das contratações que visam o aquecimento da produção por causa do também sazonal aumento das vendas no final do ano. Taxa de sete diasO IBGE também divulga nesta quarta-feira a taxa de desemprego de sete dias, que considera a média de trabalhadores que procuraram por uma vaga nos últimos sete dias antes da pesquisa. Para este critério, o mercado projeta uma taxa que varia entre 7,3% e 7,7%, segundo apurou a Agência Estado. O mercado, segundo explica o economista do BBV Banco, Luís Afonso Lima, olha mais para a taxa de 30 dias, que é mais representativa por ser uma referência internacional. O IBGE, porém, enfatiza mais a taxa de 7 dias.PrevisõesPevisões para a taxa de desemprego de 30 dias: Banco Modal ------------------ 8,0% ABN Asset -------------------- 8,3% BBV Banco -------------------- 8,4% ABN Amro -------------------- 8,4% Inter Amex -------------------- 8,5% BankBoston -------------------- 8,5% Tendências -------------------- 8,5%Previsões para a taxa de desemprego de 7 dias: ABN Amro ------------------- 7,3% Citibank ----------------------- 7,6% HSBC ------------------------- 7,6% BankBoston ------------------ 7,7% Tendências ------------------- 7,7%

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