Mercado procura rumo depois de dia nervoso

Os negócios ontem nos mercados lembravam os dias tensos que se seguiram à mudança no regime cambial brasileiro em 1999. As variações nas cotações também. O dólar, que já vinha subindo há sete pregões seguidos, disparou, passando de R$ 3,0310 à máxima de R$ 3,2900. A moeda norte-americana fechou a R$ 3,1900. O nervosismo é grande por causa da sucessão presidencial e da expectativa em relação a possíveis medidas do atual governo para conter a desvalorização do real.A larga vantagem que Luis Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (Frente Trabalhista) têm na campanha presidencial preocupa os mercados. Os investidores temem que eles rompam a atual política econômica, não criando as condições necessárias para o cumprimento dos compromissos firmados. E o candidato preferido dos investidores, José Serra (PSDB/PMDB), além de manter-se sem destaque na campanha, vem caindo nas pesquisas de intenção de votos. Ainda há esperanças de que Serra ganhe terreno a partir de 20 de agosto, quando começa o horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio.Como o cenário político é tido como de muito risco, os investidores querem garantias. A principal, como demonstrado ontem, tem sido aplicar uma parte dos recursos em dólares. Por isso, a demanda pela moeda norte-americana é grande. O mercado gostaria que o governo em fim de mandato fizesse um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de forma a abastecer os investidores, preferencialmente ainda com um compromisso de política econômica do próximo presidente.Mas as declarações do final de semana do secretário de Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda) norte-americano, Paul O´Neill, azedaram o humor dos investidores. Ele disse que Brasil, Argentina e Uruguai são amigos e aliados importantes dos Estados Unidos, "mas precisam implantar políticas que garantam que, assim que o dinheiro complementar (do FMI) for concedido, trará benefícios e não simplesmente sairá do País para contas bancárias na Suíça". Espera-se uma retratação e apoio do governo dos EUA para o Brasil, mas as negociações são difíceis, mesmo porque o principal, ou seja, as garantias dos candidatos à Presidência são o mais difícil de conseguir e garantir. Além disso, no início de julho a equipe econômica definiu uma política de intervenção para controlar a alta do dólar, vendendo cotas diárias de US$ 50 milhões ao longo deste mês, num total de US$ 1,5 bilhão. O governo precisa, nesta virada de mês, reavaliar a sua política. Interrompê-la neste momento é difícil, mesmo porque os recursos liberados atualmente são considerados insuficientes. Mas aumentar a cota para fazer frente à especulação custa caro e pode ferir os limites determinados no atual acordo com o FMI.Ontem o dólar comercial foi vendido a R$ 3,1900 nos últimos negócios do dia, em alta de 5,80% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,0310 e R$ 3,2900. Com o resultado dessa segunda-feira, o dólar acumula uma alta de 37,74% no ano e 13,12% em julho. O mercado de juros acompanhou e os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 25,950% ao ano, frente a 25,430% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 30,000% ao ano, frente a 27,550% ao ano negociados sexta-feira.Mas a Bolsa de Valores de São Paulo, no início do dia, tentava acompanhar a vigorosa reação do mercado acionário norte-americano. A Bovespa fechou em alta de 0,26% em 9240 pontos e volume de negócios fraco, de R$ 676 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 31,94% em 2002 e 17,05% em julho. O cenário ainda é muito instável, e os patamares negociados estão baixos, mas as altas nos EUA foram impressionantes. Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 5,41% (a 8711,9 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 5,79% (a 1335,25 pontos). Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,30% (356,90 pontos).Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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