Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Mercado eleva projeção de crescimento do PIB e prevê alta de 1,5% este ano

Bancos e consultorias revisaram para cima a estimativa de expansão da atividade econômica após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre

Cícero Cotrim e Guilherme Bianchini, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2022 | 05h00

O crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, divulgado na quinta-feira, 2, pelo IBGE, levou a uma nova revisão das projeções de crescimento da economia brasileira este ano. 

Após a divulgação do IBGE, bancos e consultorias passaram a prever um crescimento mais forte para o PIB de 2022. Entre elas estão instituições como BNP Paribas (-0,5% para 1,5%), JPMorgan (1,0% para 1,2%), Citi (0,7% para 1,4%), Santander Brasil (0,7% para 1,2%) e MB Associados (0,5% para 1,1%). 

Nova pesquisa do Projeções Broadcast com economistas de 28 instituições, concluída na tarde de quinta-feira, apontou para avanço de 1,5% do PIB no ano, considerando a mediana das respostas – ante 1,4% na sondagem anterior. As estimativas de crescimento vão de 0,8% a 1,9% para este ano.

Segundo economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, o crescimento no primeiro trimestre (puxado pelo setor de serviços, do lado da oferta, e pelo consumo das famílias, do lado da demanda) é compatível com um quadro de atividade econômica mais positivo do que era esperado no começo do ano.

Além disso, o IBGE também revisou para cima os dados do PIB do quarto trimestre de 2021 (de 0,5% para 0,7%), o que ajudou a formar um quadro mais forte para a atividade econômica.

"Não dá para chamar um PIB que cresce 1,0% de fraco", resumiu o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. Embora reconheça surpresas negativas no resultado do primeiro trimestre – abaixo da expectativa do banco, de alta de 1,7% – o economista reiterou a projeção de crescimento de 1,5% da atividade este ano.

A economista-sênior da AZ Quest, Mirella Hirakawa, aumentou de 1,2% para 1,5% a projeção de crescimento do PIB de 2022, na esteira da divulgação dos números considerados "robustos" no primeiro trimestre. Para a analista, o desempenho dos serviços e do consumo das famílias ficou em linha com os vetores de crescimento esperados e corrobora a percepção de um início de ano mais forte.

“A história do primeiro trimestre é de um crescimento muito maior do que se esperava dois meses atrás, principalmente depois da divulgação dos dados de março, e a revisão dos dados do quarto trimestre contribui para essa história", diz Hirakawa. "A gente mantém, mesmo depois dessa revisão do número de 2022, um balanço assimétrico para cima no ano", completa a economista, que tem viés de alta na projeção de 0,1% para o segundo trimestre.

O coordenador do Departamento Econômico do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, elevou de 1,2% para 1,6% a sua projeção de crescimento do PIB de 2022, ressaltando o bom desempenho de segmentos vinculados a commodities no início do ano, que impulsionaram o crescimento de 5,0% das exportações entre janeiro e março.

"O que vemos de atividade na primeira metade do ano também é fruto da inexistência dos efeitos da política monetária, que deve pesar mais no segundo semestre. Nossos trackers (indicadores) sugerem uma variação positiva para serviços, varejo e indústria no segundo trimestre, mas com uma trajetória cadente", diz Xavier, que espera alta de 0,4% do PIB no intervalo entre abril e junho.

Apesar da melhora das estimativas para o ano, o mercado continua vendo um quadro muito desigual para a atividade entre o primeiro e o segundo semestres de 2022. Com o aperto da política monetária no Brasil e a desaceleração esperada para a economia global, as medianas da pesquisa continuam sugerindo um cenário de recessão técnica para o País na segunda metade do ano, com quedas do PIB no terceiro (-0,3%) e no quarto (-0,2%) trimestres.

"Vamos ver não só a economia da China perdendo ímpeto, mas também Estados Unidos e Europa. Esse impulso do primeiro trimestre deve perder magnitude", diz Xavier, que estima contrações de 0,2% e 0,1% do PIB no terceiro e no quarto trimestres, respectivamente. De acordo com o economista, o aperto monetário global deve servir como obstáculo adicional ao crescimento na segunda metade deste ano.

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