Mercado projeta juro maior e inflação menor em 2014; PIB deve crescer apenas 0,20%

Segundo relatório Focus, IPCA deve fechar em 6,39% e Selic em 11,50%; para o PIB, a expectativa de crescimento voltou a ter queda

Economia & Negócios, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 08h53

Após o Banco Central elevar o juro básico Selic e divulgar a ata do Copom em que se mostrou preocupado com a inflação, o mercado revisou suas projeções para as variáveis. Agora, os analistas acreditam que o juro encerrará o ano em 11,50% e não mais em 11% como projetava anteriormente (atualmente o juro está em 11,25%). Para a inflação, a expectativa caiu para 6,39% no relatório de mercado Focus, divulgado pelo Banco Central. .

As mudanças ocorreram depois do anúncio do aumento do preço da gasolina em 3% e da desaceleração do índice oficial de outubro em relação a setembro, que ficou em 0,42%, abaixo do intervalo apurado pelo AE Projeções. Há um mês, a taxa mediana estava em 6,45%. Para 2015, o ponto central da pesquisa se deslocou de 6,32% para 6,40% ante 6,30% visto quatro semanas atrás. 

No Top 5 - grupo dos economistas que mais acertam as projeções -, a previsão para o IPCA este ano também foi reduzida, de 6,49% na semana passada para 6,34% agora. Um mês antes, estava em 6,51%. Para 2015, esse mesmo grupo elevou drasticamente a mediana das estimativas, que passou de 6,38% para 6,74%. Um mês atrás, a mediana das previsões para o IPCA do ano que vem estava em 6,38%. 

Para o curto prazo, a taxa para novembro passou de 0,57% para 0,59%. Já a de dezembro foi alterada de 0,66% para 0,68%. Um mês antes, essas taxas estavam, respectivamente, em 0,60% e 0,67%. O boletim Focus revelou ainda que as projeções para a inflação suavizada 12 meses à frente passou de 6,38%, mesmo patamar visto um mês atrás, para 6,42% de uma semana para outra. 

Juro. Com a digestão da alta de 0,25 ponto porcentual da Selic há quase 15 dias, para 11,25% ao ano, a mediana das estimativas para a taxa básica de juros no fim de 2014 passou de 11% para 11,50%. Para o ano que vem, a mediana das projeções seguiu em 12%, mesmo patamar da semana passada, mas maior do que a taxa de 11,88% projetada pelos participantes da pesquisa para o final de 2015.

PIB. As previsões para Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 voltaram a piorar. Pelo relatório, a economia brasileira crescerá 0,20% este ano ante previsão de 0,24% da semana passada e de 0,28% vista um mês atrás. 

Os economistas continuam a acreditar em alguma retomada da atividade no ano que vem, mas diminuíram a taxa mediana para o período de 1,00% para 0,80%. Quatro semanas antes, a estimativa de crescimento para o próximo ano também estava em 1,00%.

Conforme a pesquisa, o setor manufatureiro terá retração de 2,21% este ano ante previsão de queda de 2,17% esperada na semana passada. Vale lembrar que um mês antes, a expectativa era de uma diminuição da atividade de 2,16%. Para 2015, a previsão é de recuperação do setor, que deve ter expansão de 1,46% - estava em 1,42% no documento anterior e em 1,30% um mês antes.

Os analistas ajustaram suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. A Focus de hoje aponta que a mediana da semana passada, de 35,25%, foi alterada para 35,20%. Um mês antes estava em 35,00%. Já o ponto central da pesquisa para a relação em 2015 passou de 35,80% do levantamento para 35,90% agora. Quatro semanas antes, porém, estava em 35,50%.

Dólar. O mercado financeiro alterou todos os campos do relatório de mercado Focus para o dólar. A mediana para o fim de dezembro de 2014 passou de R$ 2,45 para R$ 2,50 - há um mês, estava em R$ 2,40. Já para 2015, a cotação subiu de R$ 2,55 para R$ 2,60 de uma semana para outra - um mês antes estava em R$ 2,50.

O Banco Central já mostrou preocupação com a valorização da moeda americana frente o real. De acordo com uma fonte, o real estaria cerca de 5% desvalorizado em relação às projeções apontadas pelo modelo da instituição. Há, portanto, a percepção de que há "gordura a ser queimada". Apesar disso, a Focus continua mostrando expectativa de alta para a divisa dos Estados Unidos. 

(Com informações da Agência Estado)

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