Mercado reage a aumento na Selic

Às 14h30, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic, taxa básica referencial da economia, de 18% para 21% ao ano. A reunião extraordinária surpreendeu e o mercado, que já trabalhava com poucos negócios devido ao ambiente de incertezas e ao feriado nos Estados Unidos, praticamente interrompeu as transações. A surpresa incentivou uma onda pessimista, com forte queda na bolsa e alta nos juros. Mas o dólar segue em alta de 1,57% a R$ 3,88; não realizando o objetivo final de todas as medidas do BC desde a semana passada.A primeira reação ao anúncio da reunião foi de nervosismo. O dólar foi à máxima do período, atingindo R$ 3,91, com alta de 2,36%. Em seguida, no entanto, o valor da moeda norte-americana voltou a níveis anteriores à notícia da reunião, mas manteve alta com relação a sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que já vinha mal por causa dos problemas com a plataforma P-34 da Petrobrás e do atentado na Indonésia, despencou 4,54%.Diante do anúncio da reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), os contratos DI futuros subiram e, especificamente o DI janeiro (o mais negociado), atingiu o limitador máximo do dia. Assim que foi anunciada a reunião, a taxa de janeiro saltou de 21,55% para 23,28%, atingindo assim o limite máximo de oscilação no dia. Ou seja, o contrato só pode ser negociado hoje a taxas abaixo desse nível. Não havendo interesse, o contrato fica travado.A alta do juro vem completar um receituário de medidas recessivas que o Banco Central (BC) adotou com o objetivo de combater a pressão de alta do dólar. Na sexta-feira, o BC reduziu o limite máximo de aplicações cambiais das instituições financeiras de 60% para 30% do capital dos bancos; e também elevou, pela segunda vez nesta semana, de 75% para 100% a exigência de capital em real sobre os investimentos em câmbio dos bancos. O BC também aumentou em cincos pontos porcentuais as alíquotas dos depósitos compulsórios à vista, a prazo e de poupança. O consenso do mercado, logo após o anúncio da reunião do Copom, era de que o BC aumentaria a taxa de juro. Para a maioria dos especialistas, a taxa Selic deveria passar para um intervalo entre 21% e 25% ao ano. Na avaliação deles, isso seria mais ou menos o necessário para que o juro atual fosse ajustado à inflação. "A taxa de juros hoje não está calibrada com a inflação. Mas o mercado avaliava que o BC estava esperando passarem as eleições e o dólar encontrar um novo ponto de equilíbrio para, somente depois, fazer o ajuste necessário na política monetária", disse Joaquim Paulo Kokudai, diretor do Lloyds TSB.MercadosÀs 15h, o dólar comercial era vendido a R$ 3,8800, em alta de 1,57% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,8000 e R$ 3,9100. Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 67,53% no ano e 22,75% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 23,280% ao ano, frente a 21,600% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 29,310% ao ano, frente a 26,250% ao ano negociados sexta-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 3,63% em 8533 pontos e volume de negócios fraco, de R$ 205 milhões. Com esse resultado, a Bolsa acumula uma baixa de 37,07% em 2002 e 16,07% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, nenhuma está em alta. Os papéis da Petrobrás ON (ordinárias, com direito a voto) apresentam queda de 5,11%. Mercados internacionais Em dia de feriado nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - opera em alta de 0,27% (a 7871,4 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - sobe 0,43% (a 1215,71 pontos). O euro é negociado a US$ 0,9870; uma queda de 0,08%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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