Mercado reage a Copom e pacote; crise nos EUA pressiona

Bovespa está em queda; dólar sobe. No mercado externo, petróleo bate recorde e bolsas caem

Da Redação,

13 de março de 2008 | 13h28

O mercado financeiro no Brasil nesta quinta-feira, 13, reflete as preocupações dos investidores com a crise norte-americana, as reações ao pacote cambial anunciado na noite de quarta-feira no Brasil e ainda a surpresa com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).   Veja também: Com pessimismo, Bovespa abre em queda de 2,54% Governo anuncia medidas para conter queda do dólar Fundo Carlyle Capital está perto do colapso BCs atuam para ajudar mercado de crédito ESPECIAL: Preço do petróleo em alta O sobe e desce do dólar  Entenda a crise nos Estados Unidos   Veja os efeitos da desvalorização do dólar   Às 14h, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 1,42%. O dólar comercial é vendido a R$ 1,700, em alta de 1,55%.    O clima de instabilidade no mercado internacional aumentou diante de novas preocupações com o mercado de crédito imobiliário de risco nos Estados Unidos (subprime). Nesta quinta-feira, o fundo Carlyle Capital alertou para um possível colapso. O fundo, que é administrado pela empresa de private equity Carlyle Group, não conseguiu chegar a um acordo de refinanciamento com seus credores e alertou que isso pode levar à tomada e liquidação de seus ativos.   A notícia anulou de vez todo o otimismo do começo da semana, quando o banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) anunciou uma ação conjunta com outros bancos centrais, a fim de injetar mais recursos na economia. Nesta quinta, o Fed voltou a falar em mais empréstimos e já marcou para sexta-feira uma reunião com os principais bancos distribuidores de recursos (dealers) uma reunião para discutir um novo programa de empréstimos.   O tom pessimista foi reforçado pelos dados de vendas no varejo nos Estados Unidos. Inesperadamente, houve queda nas vendas em fevereiro. Os investidores também acompanharam os dados sobre pedidos de auxílio-desemprego, já que consideram que se as pessoas não estão trabalhando, certamente não estão gastando muito dinheiro. Os pedidos se mantiveram em níveis elevados na semana passada, sugerindo que o enfraquecimento do mercado de trabalho continua em março, afirmam analistas.   Ou seja, são dois dados da economia norte-americana que reforçam o temos de que a economia do país passa por um período de forte desaquecimento econômico, o que é ruim para a economia de todos os países.   O fato é que o tamanho da crise americana é a grande preocupação dos investidores. Neste cenário, eles correm para ativos mais seguros, como as moedas de países com economia sólida. E ainda para a compra de commodities, como o petróleo.   O resultado disso é mais um dia de recorde do preço do petróleo. O barril do produto chegou a ser vendido a US$ 111. É o quarto pregão consecutivo que o petróleo bate uma nova máxima histórica. Além disso, pela primeira vez desde 1995, o dólar chegou a ser cotado abaixo de 100 ienes. Mais cedo, o ouro (à vista) e o contrato de ouro para abril superaram a marca de US$ 1.000.   Influências internas   O mercado também não gostou do tom pessimista da ata do Copom divulgada na manhã desta Quinta. O documento sinalizou que os membros do Comitê cogitaram a possibilidade de alta dos juros. Isso por causa das projeções de inflação, que começam a divergir da meta, diante de um cenário de descompasso entre oferta e demanda, investimentos em capacidade produtiva que demoram a se materializar, além do aumento dos riscos de inflação global.   O pacote com medidas para reduzir a queda do dólar frente ao real também mexeu com os negócios, já que elas foram anunciadas após o fechamento dos mercados na quarta. O governo anunciou que vai taxar o capital especulativo de curto prazo. Na expectativa de uma entrada menor de dólares no País, o dólar subiu no mercado interno. Contudo, esta deve ser uma reação limitada, já que o dólar deve continuar em queda no Brasil, assim como está em relação a outras moedas, como o euro e o iene.   Vale destacar que, caso o Copom suba a taxa básica de juros, como sinalizou a ata do Copom, a arbitragem (diferença entre o juro interno e o externo) pode atrair mais investidores para o País. Com isso, a entrada de dólares aumenta e a cotação da moeda norte-americana pode cair ainda mais, mesmo com as medidas cambiais adotadas pelo governo.

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