Adriano Machado/Reuters - 29/1/2019
Adriano Machado/Reuters - 29/1/2019

coluna

Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

Mercado reage a corte de juros nos Brasil e nos EUA

Alguns analistas já preveem que a Selic pode chegar a 5% ao ano no fim de 2019; redução da taxa mexe com a renda fixa

O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 08h38

Esta quinta-feira, 1.º, deve ser de ajustes nos mercados locais, depois do corte de 0,50 ponto porcentual da Selic para 6% ao ano, e os sinais do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de novas reduções na taxa básica de juros nos próximos meses. 

Também pode haver reações adicionais à decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de baixar suas taxas em 0,25 ponto porcentual, para a faixa de 2% a 2,25% ano, como era esperado também. Mas o presidente da instituição, Jerome Powell, frustrou ao não confirmar expectativas dos investidores de estímulo adicional neste ano, o que já surte efeitos no mercado nesta quinta. 

O efeito do novo corte nas taxas de juros

Na renda fixa, as taxas curtas e intermediárias podem ter queda expressiva já na abertura do mercado, segundo profissionais consultados pelo Estadão/Broadcast, que preveem também ajustes no câmbio. 

Para alguns analistas, o tamanho do corte na Selic reforça a percepção de que o afrouxamento monetário pode ser maior do que o esperado. Já há quem considere a probabilidade de mais dois cortes de 0,50 ponto porcentual até dezembro, com a Selic caindo para 5,00% ao ano.

Quem investe em renda fixa vai sentir a mudança na Selic. A redução da taxa para 6% ao ano tem como efeito prático o achatamento desses investimentos e iguala os produtos disponíveis no mercado, recolocando a caderneta de poupança como opção atraente para o aplicador com aversão ao risco. 

O dólar pode subir, em tese, pelo fato de o corte na Selic ter sido mais forte que o do Fed - com isso, o diferencial de taxas interna e externa se estreitou. Ainda assim, há possibilidade de migração de investidores para mercados emergentes, como o Brasil.

Após o corte da Selic, Itaú Unibanco e Banco do Brasil anunciaram cortes em suas tarifas para pessoas físicas e empresas. Antes mesmo da decisão do Copom, a Caixa já havia anunciado cortes nas suas principais linhas de crédito.

Agosto começa com balanço da Petrobrás 

A divulgação de dados da Vale e da Petrobrás pode mexer com a Bolsa nesta quinta. Na noite de quarta, a Vale anunciou seu segundo prejuízo trimestral seguido, ainda em decorrência de fatores ligados à tragédia de Brumadinho. Nesta tarde, a petroleira divulga seus resultados, depois do fechamento do pregão. Também na noite de quarta, BR Distribuidora divulgou lucro líquido de R$ 302 milhões no segundo trimestre e já nesta manhã foi a vez da Gol, que teve prejuízo de R$ 120,8 milhões.

Devem ser monitorados ainda os dados da produção industrial brasileira em junho e o número de vendas de veículos.

Previdência e reforma tributária em vista

O Congresso Nacional volta oficialmente do recesso hoje, mas só deve ocorrer sessão em plenário na semana que vem. Antes de votar a proposta de reforma da Previdência em segundo turno na Câmara, os deputados podem decidir analisar antes medidas provisórias, que estão próximas de perder o prazo de vigência e precisam ser votadas. Uma delas é a MP da Liberdade Econômica, que vence dia 27 de agosto e ainda precisa passar pela Câmara e Senado. 

Secretários de Fazenda dos Estados fecharam uma proposta de reforma tributária que retira da União o controle da gestão de três tributos que juntos tiveram arrecadação de R$ 361,5 bilhões no ano passado. Pelo texto, o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) - que vai unir ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI - terá um comitê gestor formado somente com Estados e municípios, sem a participação da Receita Federal. 

Cenário externo

As Bolsas europeias e os índices futuros de Nova York sobem, após as perdas de mais de 1% dos mercados acionários americanos na quarta, enquanto o dólar segue valorizado, provocando o recuo de ativos relacionados à moeda, como o petróleo, o cobre e o ouro. 

Na Ásia, as Bolsas fecharam majoritariamente em queda, à exceção de Tóquio, depois que o Fed confirmou a expectativa de corte de juros, sem, no entanto, garantir uma flexibilização adicional nos próximos meses. 

Esse posicionamento do Fed também mexe com os contratos futuros de petróleo, que recuam diante do avanço do dólar. No começo da manhã, o barril do petróleo WTI para setembro caía 1,30%, a US$ 57,82 no pregão eletrônico da Nymex, em Nova York, enquanto o Brent para outubro recuava 0,39%, a US$ 64,38 o barril, na ICE, em Londres. / Silvana Rocha, Luciana Xavier,  Renato Carvalho e Niviane Magalhães

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.