Mercado reage à pesquisa do Ibope

Depois de um início de semana muito fraco por causa do feriado estadual na terça-feira, os mercados retomam os negócios em ritmo normal. As atenções do mercado se voltam para o resultado da pesquisa eleitoral do Ibope, divulgada ontem, e para a viagem do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, aos Estados Unidos. A divulgação do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) também preocupou.A sondagem do Ibope confirmou os resultados do Vox Populi e Datafolha, anunciados no final de semana. O candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes (18%), alcançou o governista José Serra (17%). E o líder, Luis Inácio Lula da Silva, caiu para 36%. A queda de Lula é relevante, mas o mercado torce por Serra, que também caiu. De qualquer forma, analistas consideram a alta de Ciro Gomes pontual e resultante de sua exposição na mídia. Como o candidato do governo terá uma fatia muito maior do horário eleitoral gratuito, as apostas são de que ele decolará a partir de agosto. Enquanto as expectativas otimistas não se confirmam, a cautela predomina. A má notícia foi a divulgação do IGP-M. O mercado esperava algo entre 0,5% e 1% para julho, e dada a prévia, que fechou em 0,82%, a projeção da Fundação Getúlio Vargas (FGV) é de um índice em cerca de 1,5%. Se a apreensão com o quadro político já tornava improvável uma queda nos juros, sinais consistentes de pressão inflacionária podem enterrar de vez a possibilidade. Um fator que pode reduzir a tensão causada pelo cenário político é a viagem de Malan e Fraga, que se encontra com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, com o presidente do Federal Reserve - o Banco Central dos Estados Unidos - Alan Greenspan, e com o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O´Neill. Esse pode ser um teste para a tese de um eventual pacote de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o apoio de todos os candidatos, o governo negociaria a concessão de créditos contra a confirmação de garantias na condução da política econômica no período inicial do próximo governo.Ontem a Bolsa de Valores de São Paulo e a Bolsa Mercantil e de Futuros não funcionaram, e as poucas transações registradas foram no mercado de câmbio fora da capital paulista. O dólar comercial foi vendido a R$ 2,8540 nos últimos negócios do dia, em queda de 0,24% em relação às últimas operações de segunda-feira, oscilando entre R$ 2,8470 e R$ 2,8650. Com o resultado dessa terça-feira, o dólar acumula uma alta de 23,23% no ano e 1,21% em julho.Na segunda-feira, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 23,800% ao ano, frente a 24,600% ao ano sexta-feira. E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,56% em 10687 pontos e o volume de negócios mais fraco desde 21 de janeiro, R$ 221 milhões.Os mercados internacionais seguem abalados com o terceiro grande escândalo contábil divulgado, o da norte-americana Merck. Ontem o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,93% (a 9096,1 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 1,74% (a 1381,11 pontos). O euro fechou em US$ 0,9934; uma alta de 0,37%. Na Argentina, a Bolsa de Valores de Buenos Aires também não funcionou em função do feriado em comemoração da independência do país. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 08h07

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