Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercado reage a provável quebra da Argentina

A Argentina parece estar à beira do abismo. A pergunta agora é como será feito o calote e o que virá depois dele, a não ser que a comunidade internacional aceite pagar a conta e deixar o governo empurrar a crise com a barriga mais uma vez.. Apesar das turbulências, os mercados brasileiros vêm reagindo com relativa calma, em grande parte, porque o colapso já vem sendo antecipado há meses. Além disso, a situação dos dois países é diferente. O Brasil cresce, tem vulnerabilidades, mas ainda consegue equilibrar as contas externas, e cumpre praticamente todas as metas estabelecidas. Enquanto isso, o risco país argentino voltou a bater novo recorde de 2.125 pontos, e a agência internacional de classificação de risco Standard and Poor´s (S&P´s) reduziu novamente o rating (nota que avalia a confiança) dos papéis da dívida. A alegação foi que uma reestruturação da dívida é inevitável, mas dificilmente poderá ser feita sem perdas para os credores. Os saques nos bancos e compras de dólares crescem assustadoramente desde quinta-feira passada, e não restam opções. A província do Chaco já anunciou que não fará os pagamentos da sua dívida essa semana.Nas negociações, todos perdemA dívida da Argentina é de US$ 132 bilhões, boa parte corrigida a juros muito elevados, até 23% ao ano. O governo pede a seus credores a troca desses papéis - incluindo as dívidas das províncias - por títulos de prazos mais longos e taxas baixas, já que com os juros atuais seria quase impossível eliminar o saldo negativo nas contas públicas, mesmo com os cortes dramáticos em estudo. Mas os credores pedem garantias para o acordo de organismos multilaterais, da arrecadação de impostos e de cumprimento do déficit zero. E, embora a equipe econômica peça a todas as esferas de governo para eliminar os desequilíbrios nas contas públicas, também exige reduções nos repasses de verbas. São negociações complicadas, em que todos perdem. Porém, perdem mais sem acordo.Calote terá conseqüências dramáticasSe o calote for declarado, pode trazer grandes desequilíbrios, que serão maiores quanto mais desorganizado o ajuste. Esse é o principal argumento da equipe econômica com os organismos multilaterais e governos estrangeiros. É possível que eles decidam não deixar uma economia do tamanho da argentina simplesmente entrar em colapso, mesmo porque teria efeitos no mundo inteiro, mas o preço será alto. E muitos analistas temem que sem uma desvalorização cambial, a recuperação será lenta e dolorosa. Com uma dolarização, por exemplo, o efeito do peso caro em relação ao dólar só será vencido com mais recessão e deflação. O governo não admite o fim da paridade cambial nem como última opção, pois tem 95% da sua dívida na moeda norte-americana, assim como empresas e cidadãos, e a alta do dólar corrigiria essas dívidas, trazendo enormes dificuldades.Ontem, no final da tarde, veio um pequeno alento. Segundo rumores, governadores de províncias dos partidos de sustentação do presidente De la Rúa estariam próximos de um acordo para o corte de repasses em troca da mediação da União para a renegociação de suas dívidas.EUA enfrentam recessão, guerra e terrorismoFoi divulgado o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que chegou ao nível mais baixo desde 1994, passando de 97 pontos em setembro para 85,5 em outubro, uma indicação da gravidade da recessão em que os EUA estão entrando. Os diversos ataques terroristas com antraz contribuem para o desânimo e a sociedade já começa a apresentar sinais de desgaste com a guerra no Afeganistão. Há muitas críticas contra as mortes de civis e o sofrimento dos refugiados, sem que os objetivos propostos tenham sido alcançados. Além disso, autoridades norte-americanas puseram as forças de segurança pública em alerta máximo, devido a informações ditas confiáveis de que estaria sendo planejado um ataque terrorista coordenado de grandes proporções, embora de natureza e alvo desconhecidos. Leilão da Copel é adiadoA entrega das garantias para a participação no leilão da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi adiada para o dia 6 de novembro. A Votorantim e a companhia Vale do Rio Doce (CVRD), unidas em consórcio, anunciaram sua desistência. Restam Tractebel, belga, e a GP Participações. O câmbio esteve sob controle nos últimos dias devido à esperança de que a empresa fosse arrematada pelo grupo estrangeiro, o que traria ao menos R$ 5 bilhões (preço mínimo estipulado) em dólares ao mercado. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2001 | 08h11

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