Wilton Junior/Estadão
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Mercado reage mal a leilão do pré-sal; Bolsa cai e dólar sobe

Após o fim da disputa, que terminou com duas áreas sem oferta, a moeda americana teve alta de 2,22%

Bárbara Nascimento, Mateus Fagundes e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 11h55
Atualizado 06 de novembro de 2019 | 20h14

O aguardado fluxo de dólares com o leilão do excedente da cessão onerosa, que pressionou a moeda americana para baixo nos últimos 10 dias, não se concretizou nesta quarta-feira. Não só dois dos campos não despertaram interesse, como a Petrobrás acabou abocanhando uma fatia muito maior do que o esperado, frustrando a expectativa de entrada da moeda americana no país por meio de investidores estrangeiros. A decepção custou mais de R$ 0,11 entre a mínima, logo após a abertura e no auge das expectativas, e a máxima do dia.

No fim do pregão, o dólar terminou cotado em R$ 4,0826, uma alta de 2,22%. O câmbio não via uma variação positiva tão alta desde 27 de março deste ano, um dia depois de a Câmara dos Deputados aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento impositivo.

O economista-chefe e sócio da Garde Asset, Daniel Weeks, explica que o mercado ainda interpreta o que está por trás do baixo interesse pelos campos de petróleo. "O resultado foi ruim. A dúvida que fica é se o leilão foi mal feito (mal precificado) ou se tem um significado que vai além disso e mostra um mau humor maior dos investidores estrangeiros com o Brasil", aponta.

Na máxima do dia, o dólar tocou os R$ 4,0882, já no fim da tarde. Segundo o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano, importadoras que aguardavam um dólar mais favorável acabaram fechando negócios ao longo da tarde, o que pressionou a moeda. Na mínima intraday - registrada logo após a abertura do mercado e ainda na expectativa com a venda dos campos de petróleo - o dólar tocou os R$ 3,9766.

Com a frustração, a notícia da aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, da proposta que permite a inclusão de estados e municípios na reforma da previdência, chamada de PEC Paralela, não conseguiu animar os investidores. O texto deve ser votado em primeiro turno ainda hoje no plenário.

O dólar para dezembro fechou cotado em R$ 4,0840, em alta de 2,09%. O volume para esse mesmo mês ficou em U$ 24,50 bilhões. No mercado à vista, o giro foi de US$ 771,9 milhões.

Bolsa

O cenário mais volátil predominou na sessão de negócios de hoje, em especial entre os principais ativos da carteira teórica do índice Bovespa por conta do sentimento de frustração dos investidores com o leilão do excedente da cessão onerosa. Mas, para analistas, o desfecho do pregão desta quarta-feira não muda a tendência positiva para a Bolsa em uma conjuntura melhor das variáveis econômicas, como juros em queda, melhora das condições de crédito e retomada, mesmo que lenta, da economia.

O índice à vista variou mais de dois mil pontos na parte da manhã para depois seguir em queda e ir em direção ao piso dos 108 mil já quase eliminando os ganhos na semana. De acordo com analistas, pesou sobre o comportamento dos ativos o exterior com notícias de que a assinatura do acordo entre Estados Unidos e China pode ser adiada para dezembro.

O Ibovespa encerrou em baixa de 0,34%, aos 108.352,68 pontos. As ações da Petrobrás fecharam com sinais mistos, sendo que as preferenciais tiveram alta de 0,20% e as ordinárias, baixa de 0,43%. Vale ON recuou 0,36%. Itaú Unibanco PN e as Units do Santander, que na sessão da véspera tiveram altas expressivas, recuaram 1,35% e 1,42%, respectivamente.

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