Mercado reage mal a Lula e a guerra

O mercado operou com muito pessimismo hoje, com forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e retomada das altas no dólar. As principais razões foram rumores de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) teria voltado a crescer nas pesquisas eleitorais e os sinais cada vez mais claros de uma guerra entre os Estados Unidos e o Iraque.Sobre a rodada dessa semana das pesquisas de intenção de votos, os rumores davam conta de que Lula estaria muito próximo dos 50% de votos válidos necessários para vencer a eleição já no primeiro turno. Entre hoje e amanhã será divulgado o resultado do Ibope, e a partir de amanhã, do Vox Populi. Nas últimas semanas, os números têm vazado para o mercado antes da divulgação oficial, e os boatos acabaram quase sempre se confirmando. Na semana passada, Lula já aparecia com cerca de 40% do total de votos válidos. Ou seja, como descontam-se brancos e nulos, analistas consideram que um resultado próximo de 44% nas pesquisas possa ser suficiente para garantir a vitória sem segundo turno. O mercado, que torce para José Serra (PSDB/PMDB) não gostou da notícia, e reagiu com pessimismo.Quanto à guerra com o Iraque, os sinais apontam a crescente probabilidade de uma guerra. A reação do país às cobranças dos Estados Unidos não agradou à Organização das Nações Unidas (ONU). O regime iraquiano não cumpre as determinações do Conselho de Segurança e já declarou que não aceita a principal delas, a inspeção irrestrita do seu arsenal de guerra.Com isso, ganham força os temores dos Estados Unidos, que vêm tendo muito sucesso nos seus esforços em conseguir apoio internacional para uma invasão do Iraque. Os aliados europeus que ainda oferecem resistência estão cada vez mais brandos, e até a Arábia Saudita anunciou que permitirá o uso das bases norte-americanas instaladas em seu território, desde que a operação ocorra com o aval da ONU. Para os investidores, além dos temores gerados pelas altas seguidas nos preços do petróleo, a economia mundial está enfraquecida, e as dificuldades podem se agravar se realmente houver uma guerra. E as conseqüências para os diversos conflitos graves que existem na região são imprevisíveis.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,2160 nos últimos negócios do dia, em alta de 1,74% em relação às últimas operações de sexta-feira, oscilando entre R$ 3,1740 e R$ 3,2190. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 38,86% no ano e 2,91% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 20,910% ao ano, frente a 20,970% ao ano sexta-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 24,000% ao ano, frente a 23,350 % ao ano negociados sexta-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,43% em 9831 pontos e volume de negócios de R$ 325 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 27,59% em 2002 e alta de 3,21% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, três apresentaram altas. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,81% (a 8380,2 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 1,20% (a 1275,88 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9690; uma queda de 0,29%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 0,42% (385,77 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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