Mercado reage mal ao relatório de inflação do BC

O Relatório de Inflação referente ao primeiro trimestre de 2001 divulgado hoje pelo Banco Central (BC) revelou que a instituição prevê uma inflação em 4,8% nesse ano. De acordo com o Relatório anterior, a expectativa estava em 3,9%. Embora a previsão fique dentro da meta, ou seja, em 4% com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais, a elevação da perspectiva pode deixar o mercado instável. A política monetária é uma das formas do governo para conter a alta do dólar e, conseqüentemente, dos índices de inflação. Juros mais altos atraem investimentos externos, o que provoca um aumento do volume de dólares no mercado e reduz as cotações da moeda. Além disso, desestimula o consumo. Nos dois casos, o resultado é uma diminuição da pressão de alta sobre os índices de inflação. Porém, analistas consideram que a alta da taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto porcentual, passando de 15,25% para 15,75% ao ano, é insuficiente para atingir esses objetivos. Nesse caso, a elevação dos juros deveria ter sido maior. O efeito do aumento em 0,5 ponto porcentual foi suficiente apenas para causar instabilidade no mercado financeiro. O dólar continuou subindo, assim como as taxas de juros no mercado futuro. O mercado financeiro começa o dia sob o impacto dessa instabilidade. O dólar comercial está cotado a R$ 2,1600 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,37% em relação aos últimos negócios de ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está em queda de 0,25%.Os contratos de juros de DI a termo atrasaram em meia hora a abertura, devido ao nervosismo do mercado. Estes contratos estão indicando juros de 20,65% ao ano, contra 20,10% ao ano de ontem. Os negócios com swap de juro prefixado - título que garante a troca de um rendimento pós por um pré - já confirmam a elevação dos juros, com as taxas batendo em 20,93% ao ano, contra um fechamento ontem de 20,10% ao ano. Os juros sobem diante da confirmação de que a inflação será maior este ano, segundo confirmado por relatório do Banco Central (veja o link abaixo). Mas o mercado, que estava com forte pressão de alta das taxas de juros na abertura, já começa a recuar.Estados UnidosNos Estados Unidos, os índices futuros das Bolsas de Nova York abriram em alta, mas esse cenário pode mudar diante dos números que foram divulgados no início da manhã nos Estados Unidos. A renda e os gastos dos norte-americanos estiveram moderados em fevereiro, mas ainda em níveis capazes de evitar que a economia dos EUA entre em recessão. Segundo apurou a editora Cynthia Decloedt, a renda pessoal subiu 0,4% em fevereiro e os gastos com consumo avançaram 0,3%. A variação em ambos indicadores ficou próximo do que previam os economistas em Wall Street. Segundo pesquisa da Dow Jones, a estimativa era de alta de 0,3% nos gastos e na renda.

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