Andreas Papakonstantinou/AFP
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Mercado recebe com ceticismo novo pacote de corte de gastos da Grécia

Com esse plano, governo quer evitar uma reestruturação da dívida e a contaminação generalizada da crise por outros países da Europa

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Pressionado, o governo da Grécia anunciou ontem mais um plano de corte de gastos e exigiu mais sacrifícios da população para evitar uma restruturação da dívida e uma contaminação generalizada da crise pela Europa. Mas nem o mercado nem os demais países da UE acreditam que o plano será seguido.

As dúvidas em relação ao plano de Atenas alimentaram ontem o temor de um contágio e abriu mais um dia de caos nos mercados europeus. O euro já perdeu mais de 6% em relação ao dólar em um mês e, ontem, os papéis da dívida de Portugal, Grécia e Irlanda atingiram novas altas históricas.

Atenas garantiu que vai acelerar suas privatizações para arrecadar 50 bilhões, reduzir o orçamento e aumentar arrecadação em 6,4 bilhões extras. A meta é a de ter um déficit público de 7,5% até o fim do ano, contra quase 11% em 2010.

Praticamente todos no bloco já admitem que os 110 bilhões prometidos para a Grécia não serão suficientes para cobrir o rombo nas contas do país. Ontem, o presidente do BC austríaco, Ewald Nowotny, indicou que a UE e o FMI já sabem que terão de aumentar a ajuda. Mas não querem voltar a dar dinheiro, sem promessas claras de ajustes.

A UE cobra de Atenas um novo plano, válido até 2015, e seria apoiado por todos os partidos, e não só o governo. Essa seria uma forma de garantir que, mesmo com uma queda dos socialistas do poder, o plano seria mantido.

Ontem, a estratégia incluía a venda de 75% do Porto de Atenas, o maior do país, além de outros. 15% da empresa de telefonia, 34% dos correios, bancos e serviço de água também serão privatizados. O cassino de Atenas também será vendido.

Os trabalhadores sofrerão com novos cortes de salários e o fim de pagamentos extras. Os impostos sobre a gasolina e bebidas não alcoólicas serão elevados. Até o imposto sobre veículos aumentará em 20%.

O novo plano é um reconhecimento de que os cortes realizados em 2010 simplesmente não funcionaram. De fato, a política de austeridade fez o déficit crescer, já que a arrecadação desabou. Em 2011, estava em 13,7%.

O FMI e o BC europeu decidiram congelar a ajuda, até que uma nova estratégia fosse apresentada. Hoje, a oposição será consultada. Sem o novo plano, uma linha de crédito que Atenas espera receber seria bloqueada.

Dúvidas. Ontem o mercado reagiu com frieza ao pacote e deu um claro recado de que não há mais confiança de que o governo agirá como prometido. O risco país atingiu outro recorde, depois que agência de rating Fitch rebaixou a Grécia no fiml da semana passada.

Diante de uma situação sem nenhuma garantia da parte de Atenas, a cúpula da UE entrou em choque sobre como lidar com a crise. O Banco Central Europeu rejeitou planos de restruturação da dívida do país.

Já o chefe de assuntos econômicos e monetários da Comissão Europeia, Olli Rehn, se uniu à França e Alemanha na defesa de tal medida. Para o BC, porém, declarar a restruturação seria o equivalente para ao mercado a assumir um default.

Para tentar reconquistar a confiança dos mercados, a exigência da União Eueopeia é de que a Grécia venda 50 bilhões em ativos do governo até 2012, dois anos antes do previsto.

Enxugamento

7,5% do PIB

é a meta do déficit público da Grécia este ano

11% do PIB

foi o déficit do país em 2010

50 bilhões de euros

é o esperado com privatizações

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