Mercado reduz cautela com governo e dólar cai a R$1,709

O dólar fechou em baixa nesta quinta-feira, aproximando-se do patamar de 1,70 real, com um cenário favorável no mercado externo e a redução das expectativas sobre novas medidas do governo para frear a valorização do real.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

03 de dezembro de 2009 | 16h44

A moeda norte-americana recuou 0,81 por cento, para 1,709 real --cotação mais baixa de fechamento desde 9 de novembro. No ano, o dólar acumula queda de 26,75 por cento.

No início da manhã, o anúncio de que o Bank of America começará a devolver 45 bilhões de dólares em recursos emprestados pelo governo norte-americano durante a crise global propiciou um aumento do apetite por risco, valorizando divisas de países emergentes em relação ao dólar.

Mas o declínio da moeda norte-americana foi mais acentuado no Brasil por causa de declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao jornal O Estado de S. Paulo de que o governo está satisfeito com as medidas implementadas até o momento para brecar a apreciação do real.

O mercado vinha hesitando em aprofundar a queda do dólar com o receio de que o governo pudesse agir a qualquer momento, a exemplo do que fez em outubro, quando adotou a cobrança de IOF sobre a entrada de capital estrangeiro para ações e renda fixa.

Sem o fator de incerteza representado pelo governo, profissionais de mercado já voltam a falar no rompimento do nível psicológico de 1,70 real. Isso, no entanto, depende do comportamento do mercado internacional, afirmam.

"Pode quebrar (o patamar de 1,70 real) de um dia para o outro", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença. "Se lá fora estiver bom, se amanhã o euro amanhece com tendência de alta frente ao dólar, o mercado (local) amanhece com baixa (do dólar). Aí já quebrou."

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