Maira Vieira/Estadão
Maira Vieira/Estadão

Com IPCA de novembro, mercado reduz estimativa de inflação para 2,8% em 2017

IPCA de novembro divulgado pelo IBGE surpreendeu o mercado; se confirmada essa projeção, inflação vai ficar abaixo do piso da meta do governo e Banco Central vai precisar enviar carta se justificando ao mercado

O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 14h04

O mercado começa a revisar as projeções para a inflação em 2017 com a divulgação nesta sexta-feira, 8, do  Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que em novembro atingiu 0,28%, abaixo do que se esperava.

Com isso, a estimativa é de que o índice oficial de preços, auferido pelo IBGE, termine o ano com um acumulado de 2,8% nos 12 meses, abaixo dos 3,3% até então projetados. Para 2018, o mercado manteve a expectativa em 3,8% e aguarda 4,0% para o IPCA fechado em 2019, ambos abaixo do centro da meta inflacionária definido pelo Banco Central (BC).

Novamente, os preços dos alimentos no domicílio seguem surpreendendo positivamente e registraram a sétima queda consecutiva, de 0,72%, deflação mais intensa que a esperada. Em 12 meses, o subgrupo registra deflação de 5,3%.

Por outro lado, como esperado, o grupo habitação apresentou a maior alta no mês, de 1,27%, refletindo as altas dos preços da energia elétrica (4,2%), do gás de botijão (1,6%) e das tarifas de água e esgoto (1,32%). Os combustíveis também apresentaram alta no mês, de 3,1%, refletindo a a entressafra da cana-de-açúcar e os reajustes no atacado da Petrobrás para a gasolina.

Com base nesse cenário, o Itaú Unibanco divulgou um relatório justamente revisando sua projeção iniciar de 3,3% para o IPCA em 2017 para 2,8%. Segundo o banco, o ritmo de aumento de preços deve seguir no mês de dezembro mais ou menos como em dezembro. Para além dos resultados correntes abaixo do esperado para a alimentação e o segmento de serviços, o banco considerou a a definição de bandeira tarifária vermelha em patamar 1 em dezembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que as contas de luz terão bandeira vermelha em seu primeiro patamar no mês de dezembro. Com isso, os consumidores terão uma taxa extra de R$ 3,00 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Em novembro, vigorou a bandeira vermelha patamar dois, cuja cobrança é de R$ 5,00 a cada 100 kWh consumidos.

O resultado abaixo do esperado também levou a LCA Consultores a diminuir a expectativa para a inflação fechada deste ano. A projeção passou de 2,9% para 2,8%, enquanto a previsão para o IPCA de 2018 permaneceu em 4,4%.

A perspectiva da LCA é que o IPCA de dezembro fique em 0,34%, portando acima do resultado do mês passado, em razão das pressões de alta esperadas no grupo Transportes por causa de passagem aérea e em Alimentação. A consultoria estima que o conjunto de preços de alimentos volte a subir após sete quedas consecutivas.

Para a equipe econômica do banco UBS, a tendência é mesmo de inflação em 2017 abaixo do centro da meta. No entanto, o banco prevê um resultado levemente superior, 2,9%. 

"A surpresa com o IPCA nos leva a reduzir a projeção para a inflação deste ano de 3,1% para 2,9%, o que provavelmente implicará que o Banco Central terá de escrever uma carta ao Ministro da Fazenda", afirma o relatório do UBS. 

Na avaliação do economista-chefe do Rabobank Brasil, Mauricio Oreng, o alívio na inflação segue refletindo uma combinação de fatores como os efeitos da super safra nos preços de alimentos, os impactos da ociosidade e da taxa de câmbio. "Porém, do lado das pressões de alta no dado mensal estão os preços administrados", pondera.

"No geral, estamos diante de um cenário muito favorável para a inflação com a ociosidade da economia contribuindo para os núcleos ficarem muito bem comportados, o câmbio bem comportado e a ancoragem das expectativas que o Banco Central (BC) conseguiu implementar", avalia. 

Ano que vem. Para 2018, o banco UBS mantém a estimativa de 4% para o IPCA. Assim como o Itaú, para quem a estimativa para o IPCA do próximo ano, em nível abaixo da meta, terá como fatores determinantes menor inércia inflacionária de 2017, expectativas ancoradas e o hiato do produto ainda em terreno negativo. Para 2019, a projeção do Itaú é que o IPCA fique ao redor de 4,0%, com altas previstas de 3,9% dos preços livres e de 4,3% dos preços administrados.

A expectativa do Rabobank é que o IPCA termine este ano em 2,8%, podendo fechar 2018 em torno de 4,0%.

Previdência. Os principais fatores de risco para o cenário de inflação, ainda de acordo com relatório do Itaú, seguem atrelados às questões políticas domésticas e à evolução do cenário internacional. O aumento da incerteza associada ao cenário político vem dificultando o avanço das reformas e ajustes necessários para a retomada da economia, em especial da reforma da Previdência, observa o banco. Isso, conforme o o relatório, pode resultar, em algum momento, em piora nos prêmios de risco e impacto na taxa de câmbio.

Mauricio Oreng, do Rabobank Brasil, também contempla em seu cenário a aprovação da reforma da Previdência somente no próximo governo. Mesmo assim, o efeito não seria tão expressivo, pois imagina que isso de certa forma já esteja precificado. "Claro que eventualmente adiar a reforma da Previdência terá um custo, porém o rumo da direção que o próximo governo dará às reformas é muito importante", observa. 

 

 

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