Mercado reduz previsão de expansão do PIB em 2015 para 0,13%

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Mercado reduz previsão de expansão do PIB em 2015 para 0,13%

Já a estimativa para a inflação subiu de 6,67% para 6,99%, se afastando ainda mais do centro da meta, de 4,5%

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

26 de janeiro de 2015 | 09h25

BRASÍLIA - Em menos de um mês do novo ano, o mercado financeiro segue com uma posição desanimadora em relação ao crescimento do País em 2015, que vai beirar mais uma vez a estabilidade, segundo analistas do setor privado. Para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de acordo com o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 26, manhã pelo Banco Central, a estimativa é de expansão de 0,13% ante taxa de 0,38% apontada no levantamento anterior - há quatro semanas, a aposta era de uma alta este ano de 0,55%.

Já para 2016, a expectativa é mais otimista, mas mesmo assim passou por uma forte deterioração esta semana. A projeção de crescimento de 1,80% da semana anterior foi substituída por uma taxa de 1,54%. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem era de 1,80%.

A produção industrial segue como setor vital para a confecção das previsões para o PIB em 2015 e 2016. No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de alta de 0,69% para este ano ante 0,71% prevista na semana passada e de 1,02% de quatro semanas atrás. Para 2016, as apostas de expansão para a indústria caiu de 2,65% para 2,50%, mesmo patamar apontado quatro semanas antes.

IPCA. Em relação à inflação, o mercado financeiro vê ainda mais distante do que antes a possibilidade de cumprimento da meta de 4,5% em 2015. A piora das expectativas para os indicadores de preços pode ser constatada em diferentes variáveis para diferentes períodos. De acordo com o Focus, a mediana das previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor amplo (IPCA) deste ano subiu de 6,67% para 6,99%. Há um mês, a mediana estava em 6,53%.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que o IPCA subiria nos primeiros meses deste ano, mas avaliou que entraria em um período de declínio mais para frente e encerraria 2016 no centro da meta de 4,5%. 

Na pesquisa geral, a mediana das projeções para o IPCA de 2016 foi a única a trazer um pequeno alívio, com a mediana das projeções recuando de 5,70% para 5,60%. 

Selic. Depois da alta de 0,50 ponto porcentual da Selic promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, de acordo com a expectativa majoritária dos analistas, participantes do Relatório Focus praticamente não mexeram em suas projeções para essa variável. A pesquisa Focus aponta que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,50%. Essa previsão de alta total de 0,75 ponto porcentual em 2015 consta do documento há sete semanas.

A Selic média deste ano permaneceu em 12,47% ao ano pela sexta vez seguida, valor bem próximo da taxa efetiva esperada para o fim deste ano. Para o encerramento de 2016, a mediana das projeções foi mantida em 11,50% pela quarta semana seguida. A Selic média do ano que vem voltou para 11,69% - patamar em que estava um mês atrás - na semana passada, havia subido para 11,73%.

Já os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros preveem uma elevação bem mais forte do que a pesquisa geral. Para o grupo Top 5 de médio prazo, a Selic encerrará este ano em 13,00%, como já acreditavam esses analistas na semana passada. Para o encerramento de 2016, esse grupo projeta uma taxa de 11,75% no lugar do nível de 12,00% apontado na semana passada. Quatro semanas antes, a mediana das previsões para esse indicador era de 11,75% ao ano.

Dívida. Os economistas mantiveram inalteradas suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB. Para 2015, a mediana das previsões permaneceu em 37,00%, taxa também vista quatro semanas antes. No caso de 2016, as expectativas ficaram congeladas em 37,40% - no boletim divulgado há um mês a taxa era de 37,75%.

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