André Dusek/Estadão
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Mercado reduz previsão de inflação para 6,80% em 2016 e piora estimativa do PIB

Ainda sob efeito da eleição de Trump nos EUA, investidores mantiveram estimativa para a Selic em 13,75% este ano

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2016 | 08h56

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro mudaram para melhor suas projeções para a inflação neste ano. O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 21, pelo Banco Central (BC), mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - este ano passou de 6,84% para 6,80%. Há um mês, estava em 6,89%. Já o índice para o ano que vem permaneceu em 4,93%. Há quatro semanas, apontava 5,00%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano caiu de 6,83% para 6,79%. Para 2017, seguiu em 4,81%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 6,89% e 5,03%.

Ainda sob efeito do choque global surgido após a vitória de Donald Trump na eleição americana, os economistas mantiveram a expectativa de que a Selic, hoje em 14,00% ao ano, passe por apenas mais uma redução de 0,25 ponto porcentual em 2016, no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês. 

O Relatório de Mercado Focus trouxe hoje que a mediana das previsões para a Selic no fim de 2016 permaneceu em 13,75% ao ano. Na prática, se confirmado, isso significará um corte igual ao promovido pelo BC em 19 de setembro. Há um mês, antes do "efeito Trump" sobre as perspectivas, os economistas esperavam que a Selic terminasse 2016 em 13,50%. Para o fim de 2017, a projeção do Focus seguiu em 10,75% ao ano, ante 11,00% ao ano de um mês atrás. 

Na ata do último encontro do Copom, o colegiado do BC havia afirmado que cortes maiores da Selic dependerão da retomada da desinflação de serviços e de avanços no ajuste fiscal. Recentemente, já após a eleição de Trump, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a ata continua válida.  

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2016 em 13,75% ao ano, mesmo patamar previsto uma semana antes. Há um mês, a projeção era de 13,50% ao ano. Para o ano que vem, as estimativas do Top 5 caíram de 11,50% para 11,25% ao ano. Há um mês, também estava em 11,25% ao ano.

Recessão. O relatório trouxe mudanças nas projeções de atividade no País, na esteira da divulgação do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) de setembro, na semana passada. Pelo documento, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) mostram aprofundamento da recessão, com a retração passando de 3,37% para 3,40%. Foi a sétima semana consecutiva de piora nas projeções para a atividade neste ano. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,22%. 

O BC informou na semana passada que o IBC-Br de setembro subiu 0,15% ante agosto na série ajustada. Apesar do ganho mensal, o indicador -uma proxy do PIB - fechou o terceiro trimestre com retração de 0,78% ante o segundo trimestre, o que reforçou entre alguns economistas a percepção de que a retomada da economia ficou mais para frente.   

Para 2017, o Focus mostra que a percepção também piorou. O mercado prevê para o País um crescimento de 1,00% no próximo ano, abaixo do 1,13% projetado uma semana antes. Há um mês, a expectativa era de 1,23%. O BC trabalha com uma retração de 3,3% para o PIB em 2016 e com uma alta de 1,3% para 2017. Já o Ministério da Fazenda, que projeta avanço de 1,6% para o próximo ano, vai divulgar nesta semana uma estimativa atualizada e menor que a atual.   

Câmbio. A vitória de Donald Trump nas eleições americanas, que pressionou os mercados globais de moedas nas últimas semanas, voltou a influenciar as estimativas para o câmbio no Brasil. O Focus mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,30 no encerramento de 2016, ante R$ 3,22 de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,20. O câmbio médio de 2016 passou de R$ 3,43 para R$ 3,45, ante R$ 3,43 de um mês antes. 

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio permaneceu em R$ 3,40 de uma divulgação para a outra, mesmo valor de um mês antes. Já o câmbio médio de 2017 passou de R$ 3,32 para R$ 3,36 - estava em R$ 3,34 um mês atrás.

Nas últimas semanas, após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana, o BC brasileiro não apenas interrompeu as atuações com swap cambial reverso como retomou os leilões de swap cambial tradicional, como forma de reduzir a volatilidade e segurar a alta forte do dólar. Em comunicações recentes, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, tem dito que a atual posição em swaps dá tranquilidade à instituição em suas atuações e que o Banco Central pode usar qualquer instrumento disponível para conter a volatilidade. 

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