Mercado reduz previsão de queda do PIB em 2009

O mercado financeiro melhorou as projeções para o comportamento da atividade econômica este ano. Segundo a pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, a previsão de aproximadamente 80 analistas de mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 melhorou de uma retração de 0,57% para uma queda de 0,5%. Esse ajuste acontece na primeira pesquisa de mercado feita pelo BC após a divulgação, na sexta-feira passada (dia 26), do Relatório Trimestral de Inflação.

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 09h52

Para 2010, foi mantida a estimativa de que a economia deve se recuperar e o PIB apresentará crescimento de 3,5%. Essa expectativa é repetida há 17 semanas. Ainda segundo a pesquisa, analistas pioraram o cenário para a produção industrial brasileira em 2009, que passou de -4,75% para -5,04%. Para 2010, a expectativa de reação do setor industrial também teve leve piora e a previsão de crescimento passou de 4,18% para 4,05%.

Juros

O mercado financeiro manteve a projeção para o nível da taxa básica de juros, a Selic, no fim deste ano. Segundo a Pesquisa Focus, o juro básico brasileiro deve ser reduzido em 0,50 ponto porcentual até o fim de 2009, o que levaria a taxa, hoje em 9,25%, para 8,75% ao ano. A projeção é idêntica à feita na semana passada.

O levantamento mostra que essa redução esperada até o fim de 2009 deve ocorrer integralmente no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), marcado para julho. Na visão do mercado, a Selic deve encerrar o mês que vem em 8,75% anuais. Para 2010, a trajetória da Selic é diferente e a estimativa do mercado projeta o juro básico em 9,25% ao ano.

Inflação

Após duas altas seguidas nas últimas semanas, analistas mantiveram a estimativa para a inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2009. Na pesquisa Focus, a projeção de alta permaneceu em 4,4%. O índice é usado no regime de metas de inflação, cujo centro é de 4,5% este ano, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. Para 2010, a mediana das previsões para o IPCA subiu de 4,3% para 4,32%.

Dólar

O mercado financeiro manteve as previsões para o nível do dólar em relação ao real no fim deste ano. A previsão para a taxa de câmbio no fim de 2009 manteve-se em R$ 2. Para o fim de 2010, a previsão para a cotação da moeda norte-americana seguiu em idênticos R$ 2.

Conta corrente

O mercado financeiro diminuiu a previsão de déficit em conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior) em 2009 de US$ 16,5 bilhões para US$ 16,2 bilhões. Para 2010, a previsão de déficit manteve-se em US$ 22 bilhões. A previsão de superávit comercial em 2009 subiu de US$ 20,8 bilhões para US$ 21,5 bilhões. Para 2010, a estimativa de saldo comercial avançou de US$ 17 bilhões para US$ 18 bilhões.

O mercado elevou a previsão de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no País. Na pesquisa, a expectativa para a entrada de recursos externos produtivos em 2009 passou de US$ 24 bilhões para US$ 25 bilhões. Para 2010, a estimativa manteve-se em US$ 25 bilhões.

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