André Duzek/Estadão
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Mercado reduz previsão para crescimento do PIB em 2018

Expectativa dos agentes do mercado, registrada no Relatório Focus, mostrou que estimativa para alta no PIB de 2018 passou de 1,47% para 1,44%; IPCA de 2018 passou de 4,17% para 4,16%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 09h16

Na esteira dos números mais recentes da economia, a expectativa de alta para o PIB este ano passou de 1,47% para 1,44%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 3, pelo Banco Central. Há quatro semanas, a estimativa era de crescimento de 1,50%. Para 2019, o mercado manteve a previsão de alta do PIB de 2,50%, igual ao visto quatro semanas atrás.

O relatório ainda apontou uma leve redução na previsão da inflação em 2018, de 4,17% para 4,16%. Também houve mudança no cenário para a moeda norte-americana em 2018. A mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano passou de R$ 3,75 para R$ 3,80, ante os R$ 3,70 verificados há um mês.

No fim de julho, o BC reduziu sua projeção para o PIB em 2018, de 2,6% para 1,6%. A instituição atribuiu a mudança na estimativa à frustração com a economia no início do ano.

Na última sexta-feira, foi a vez de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar que o PIB cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre, em função dos efeitos da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio e junho. No primeiro semestre, a alta acumulada foi de 1,0%.

No relatório Focus de hoje, a projeção para a produção industrial de 2018 foi alterada de alta de 2,61% para elevação de 2,43%. Há um mês, estava em 2,85%. No caso de 2019, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 3,00% para 2,89%, ante 3,00% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2018 permaneceu em 54,25%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2019, a expectativa foi de 57,40% para 57,60%, ante os 57,70% de um mês atrás.

Previsão para inflação tem leve queda

O Relatório de Mercado Focus mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 4,17% para elevação de 4,16%. Há um mês, estava em 4,11%. A projeção para o índice em 2019 foi de 4,12% para 4,11%. Quatro semanas atrás, estava em 4,10%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2020, que seguiu em 4,00%. No caso de 2021, a expectativa permaneceu em 3,92%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 4,00% e 3,93%, nesta ordem.

A projeção dos economistas para a inflação em 2018 está dentro da meta deste ano, cujo centro é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%). Para 2019, a meta é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (de 2,75% a 5,75%). No caso de 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). Já a meta de 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

No Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2018 foi de 4,17% para 4,14%. Para 2019, a estimativa do Top 5 foi de 4,20% para 4,17%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 4,10% e 4,07%, respectivamente.

No caso de 2020, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 4,00%, igual ao verificado há um mês. A projeção para 2021 no Top 5 seguiu em 3,75%, também igual ao visto um mês atrás.

Previsão para Selic permanece inalterada

O Relatório de Mercado Focus mostrou que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 6,50% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar. Já a projeção para a Selic em 2019 permaneceu em 8,00% ao ano, igual ao verificado há quatro semanas.

No caso de 2020, a projeção para a Selic seguiu em 8,00% e, para 2021, também permaneceu em 8,00%. Há um mês, os porcentuais projetados eram de 8,00% para ambos os anos.

No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciou a manutenção, pela terceira vez consecutiva, da Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano. Em sua decisão, o Copom afirmou que os indicadores recentes da atividade econômica "refletem os efeitos da paralisação no setor de cargas, mas há evidências de recuperação subsequente". A instituição também reconheceu que a inflação de junho, de 1,26%, refletiu a greve dos caminhoneiros e "outros ajustes de preços relativos". No entanto, pontuou que os "dados recentes corroboram a visão de que esses efeitos devem ser temporários".

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2018 seguiu em 6,50% ao ano, igual ao verificado um mês antes. No caso de 2019, a projeção do Top 5 para a Selic seguiu em 7,75%, ante 7,63% de quatro semanas atrás. No caso de 2020, permaneceu em 8,50% e, para 2021, também em 8,50%. Há um mês, estavam em 8,50% para 2020 e 2021.

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