André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mercado reduz projeção para a inflação em 2016

Economistas esperam índice em 5,45% no ano que vem, refletindo os esforços do BC para entregar a inflação na meta; no entanto, projeções para o IPCA e para a queda do PIB em 2015 pioraram

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2015 | 09h08

BRASÍLIA - Após seis semanas consecutivas paralisada em 5,50%, a mediana das previsões do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016 passou para 5,45%, segundo o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 6, pelo Banco Central. As estimativas para o IPCA e para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, entretanto, pioraram.

A mudança será comemorada pela instituição, que vinha enfatizando a inflexibilidade das estimativas mesmo com a continuidade de alta da Selic e de discursos e pronunciamentos mais duros da instituição em relação ao combate à inflação. 

Esse período é o foco da autoridade monetária neste momento, já que o BC promete entregar a inflação no centro da meta (4,5%) no fim do ano. Pelos cálculos da instituição, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. A luta da instituição no momento é tentar convencer o mercado de que chegará ao centro da meta em 2016, daí a expectativa de que as estimativas dos analistas para o final desse ano se reduzam. 

Pela 12ª rodada consecutiva, porém, a estimativa para a inflação oficial deste ano avançou de 9,00% da semana anterior para 9,04% agora. Há um mês, essa projeção estava em 8,46%. No último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o BC havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

Impacto isolado. A conquista do BC em conseguir mexer com as estimativas dos analistas do mercado financeiro para a inflação foi isolada para o ano de 2016. Para os períodos mais longos, que vinham apresentando ajustes para baixo semana a semana, todas as previsões ficaram congeladas de uma semana para outra desta vez. 

De acordo com a série de estatísticas consolidadas do BC, a mediana das previsões para o IPCA permaneceu em 4,70% em 2017 e em 4,50% em 2018 e 2019. O BC vinha comemorando a cada semana toda revisão para baixo que vinha ocorrendo, nas palavras de um diretor do BC, "de trás para frente". 

A mudança de 5,50% para 5,45%, ainda que pequena, é uma luta que o BC vem travando com a manutenção do ritmo de alta da Selic em 0,50 ponto porcentual - atualmente está em 13,75% ao ano - e com discursos mais duros em relação ao combate à inflação. 

Recentemente, entraram para o vocabulário dos documentos e apresentações dos porta-vozes da instituição as palavras "determinação" e "perseverança", além da já conhecida "vigilante".

PIB. As projeções de analistas do mercado para a economia em 2015 pioraram. Economistas passaram a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) este ano deve ter retração de 1,50% ante queda de 1,49% verificada na edição anterior da pesquisa do BC. Com a nova previsão, foi a sétima revisão para baixo consecutiva. Há quatro semanas, a mediana era de queda de 1,30%. A expectativa para a expansão da economia em 2016 segue em 0,50%.

O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção, de queda de 0,60% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. 

Também no boletim Focus desta segunda-feira, a projeção para a produção industrial passou de queda de 4,00% em 2015 para baixa de 4,72%. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 3,20%. Já para 2016, a mediana das estimativas passou de expansão de 1,50% para crescimento de 1,35%. Um mês antes, a mediana das previsões do mercado para esse indicador era de uma alta de 1,50%.

Câmbio. As projeções da pesquisa do Banco Central apontam uma tendência de alta para a cotação do dólar tanto em 2015 quanto em 2016. Para este ano, a mediana das estimativas passou de R$ 3,20 - na qual já se encontrava há quatro edições - para R$ 3,22. Para o próximo ano, a mediana avançou de R$ 3,37 para R$ 3,40. Um mês antes estava em R$ 3,30.


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