Mercado revê para baixo previsão de IGP-M de junho após surpresa

O mercado começou a revisar parabaixo as projeções para o IGP-M de junho, para provavelmenteabaixo de 2 por cento, depois do dado abaixo do esperado nasegunda leitura do mês, o que é uma boa notícia no curto prazomas não significa necessariamente o início de um alívio dasfortes pressões de preços no atacado. Além do impacto das commodities internacionais, o ÍndiceGeral de Preços do Mercado (IGP-M) enfrenta as incertezas sobreo tamanho da alta do feijão e da carnes, produtos que já estãopressionando os indicadores e se acentuarão à frente, tomando olugar de pressões que já começam a arrefecer, como o arroz. Enquanto acredita-se que o pico da inflação ao consumidorfoi em maio, o mercado não consegue prever o ápice dos IGPs--formados sobretudo pelo atacado. Isso porque apesar de ospreços de feijão e carnes também impactarem o varejo, osaumentos de commodities como aço e energia batem diretamenteapenas nos índices de atacado. Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin,espera agora uma inflação pelo IGP-M deste mês de 1,90 porcento, ante a projeção anterior de 2 por cento. "O número da segunda prévia surpreendeu. Foi um pouco deatacado, tanto agrícola como industrial, que subiu menos do quea gente esperava", disse ele. O IGP-M subiu 1,83 por cento na segunda prévia de junhoante 1,54 por cento no mesmo período de maio. Uma pesquisa daReuters mostrou que a faixa de projeções dos analistas era de1,90 a 2,20 por cento. "REFÉNS" DO EXTERIOR Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimento,também pretende fazer uma ligeira correção na projeção do mês,de 2,10 por cento para algo em torno de 2 por cento, masressaltou que esse ainda é um patamar bastante alto. O número superaria a inflação de 1,61 por cento apuradapelo IGP-M em maio e seria a maior taxa do ano. "Os IGPs ainda continuam muito pressionados. Ainda há muitaincerteza para eles, sobretudo na questão das commodities... OsIGPs estão reféns de lá de fora", afirmou Rosa. Tanto o conjunto dos preços agrícolas como o de industriais--ambos impactados em grande parte por cotações externas--apontaram estabilidade da alta na segunda leitura de junho, masainda bem elevados, em respectivamente 2,26 e 1,97 por cento,ante 2,21 e 1,95 por cento na segunda prévia de maio. Para Zeina Latif, economista-chefe do ABN Amro Real, aindanão há certeza de que essa estabilidade indique o fim daspressões. "O número de hoje ainda não captou as novas rodadas de altado aço e não captou também a alta mais forte dos bovinos...Isso ainda está por vir", disse ela. JURO REAGE, MAS POUCO O dado abaixo do esperado da segunda prévia do IGP-M chegoua patrocinar alguns momentos de queda dos contratos de DepósitoInterfinanceiro (DI) na BM&F pela manhã, mas a tendência foilogo revertida. O DI janeiro de 2010 subia de 14,72 por cento na vésperapara 14,81 por cento e o janeiro de 2009 avançava de 13,21 para13,225 por cento por volta das 13h12. A alta resultava da retomada da tendência de alta dopetróleo e pela frustração com a reunião da véspera do governo,que não resultou em novas medidas contra a inflação, comoespeculava o mercado. Os juros também estavam atentos ao leilãode títulos públicos prefixados, que ocorre nesta sexta-feiraapós ter sido cancelado na véspera por problemas técnicos.

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