Mercado revisa PIB para baixo pela 19ª vez e prevê crescimento de 0,24% em 2014

Segundo Relatório Focus, analistas acreditam em alguma retomada do crescimento em 2015; previsões para a inflação voltaram a subir

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2014 | 09h02

BRASÍLIA - A mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 deu mais um passo em direção à estabilidade no Relatório de Mercado Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central. Pelo documento, a economia brasileira crescerá apenas 0,24% este ano, apenas metade da previsão feita um mês atrás, de 0,48%. Na semana passada, a projeção de avanço era de 0,29%. Esta é a 19ª semana consecutiva em que o mercado revisa suas planilhas para baixo na pesquisa Focus.

Os economistas continuam a acreditar em alguma retomada da atividade no ano que vem, mas cada vez com menos força, já que a taxa mediana da Focus para o período recuou de 1,01% para 1,00%. Quatro semanas antes, a estimativa de crescimento para o próximo ano estava em 1,10%.

Conforme a pesquisa, o setor manufatureiro terá retração de 2,14% este ano ante previsão de queda de 1,95% esperada na semana passada. Vale lembrar que um mês antes, a expectativa era de uma diminuição da atividade de 1,98%. Para 2015, a previsão também é de recuperação do setor, que deve ter expansão de 1,40% - estava em 1,50% no documento anterior, mesma medida vista um mês antes. 

Os analistas mantiveram suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. A Focus de hoje aponta a mesma mediana da semana passada, de 35,00%, que também era o ponto central da pesquisa um mês atrás. Para 2015, a mediana permaneceu em 35,50% de um levantamento para o outro. Quatro semanas antes, porém, estava em 35,04%.

Inflação. Próximo da divulgação do IPCA de setembro, o Relatório de Mercado Focus revelou que as projeções para o indicador voltaram a subir levemente esta semana. Para o final deste ano, a mediana das estimativas passou de 6,31% para 6,32% ante variação de 6,29% de um mês atrás. No caso de 2015, no entanto, a taxa permaneceu em 6,30% de uma semana para outra - um mês atrás, estava em 6,29%. 

Para o curto prazo, a mediana das estimativas para o IPCA de setembro passou de 0,43% para 0,44% - quatro semanas antes estava em 0,40%. No caso de outubro, o ponto central da pesquisa seguiu em 0,50% ante variação de 0,49% de quatro semanas antes.

Juros. O relatório mostrou que os analistas seguem em dúvida sobre o patamar exato da Selic no fim do ano que vem. A única certeza entre eles no levantamento é a de que a taxa básica da economia estará maior em dezembro de 2015. A mediana das projeções para o período estava em 11,38% na semana passada - o que sinalizava uma divergência entre uma taxa de 11,25% ao ano e 11,50% ao ano, já que o Banco Central apenas promove alterações de 0,25 ponto porcentual por vez. Agora, a Focus revela uma mediana de 11,88%, o que demonstra uma divisão do mercado entre uma taxa de 11,75% e 12,00% ao final do período. Um mês antes, a mediana estava em 11,63%.

Com esse movimento, a Selic média de 2015 aumentou de 11,41% para 11,69% ao ano. Quatro semanas atrás estava em 11,52%. 

Já para 2014, não houve qualquer mudança nas estimativas para a taxa básica de juros, que segue em 11,00% - patamar atual - pela 18a semana consecutiva. Com a estagnação das previsões, a Selic média deste ano também não sofreu alterações e está estacionada em 10,91% também pelo mesmo número de semanas. 

Dólar. A cotação para o dólar para o final deste ano e de 2015 avançou, assim como o movimento de alta identificado nas mesas de operação do mercado financeiro na semana passada. Já para 2015, a cotação subiu de R$ 2,45 para R$ 2,50 - um mês antes estava em R$ 2,49. 

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